Maffalda mudou de casa! Redirecionando...

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quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

I've got the world on a string

I'm sitting on a rainbow
Got the string around my finger
What a world, what a life - I'm in love

domingo, 17 de dezembro de 2006

Minha mãe fez antes de eu nascer, a minha irmã fez quando era casada, a Marcia fez há pouco tempo, a Sandra que mora comigo já fez, das meninas aqui de DC a Denise fez, a Isabella também, a Elena fez até duas vezes, a Bebel também fez, a Monica fez, tem umas que não fizeram ainda, nem a Juju, nem a Fran, a Malu disse que fez bem antes de ir pra Dinamarca e foi ótimo, a Claudia do escritório fez, a Melissa que trabalha comigo tá longe de fazer, a Azy então nem se fala, a Isabell fez e gostou, a Julie fez e reclamou o tempo todo, a Ana fez, a Teca fez maravilhosamente bem, a Denise fez quando eu era pequena, a Miriam fez lá na casa dos meus pais que eu lembro, minha prima Heloisa Xará também fez, a Laura irmã do Phil fez, a Patricia tá muito pertinho de fazer, a Mariana vai fazer antes de ter neném, a Tati faz daqui a pouquinho, a Beta ainda não fez mas é capaz de achar bom, acho que a Dina fez mas não tenho certeza, a Fabíola fez e não mudou nada, dizem que a gente fica mais sexy e mais sabida então eu também vou fazer, amanhã mesmo eu faço: trinta.

domingo, 10 de dezembro de 2006

Um belo dia eu resolvi mudar

E lógico que baguncei todo o template no processo.
Ainda faltam blogs nos links, calma lá.
Em obras.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

[Site jóia] PaperBackSwap.com

Este é para quem mora nos Estados Unidos: um sistema de troca de livros online. Funciona assim: você coloca os livros dos quais quer se livrar à disposição de outros usuários, e as pessoas podem "encomendar" os livros. Quando isso acontece, você recebe um email, imprime a etiqueta - que já vem com o endereço da pessoa e o tanto de selos que devem ser adicionados, via Mediamail, que é barato, uns 1.59 por livro - e encapa o livro pra mandar. Não precisa nem ir ao correio. Aí você recebe um crédito para encomendar livros de outras pessoas, e desta vez o remetente é quem paga a postagem. Eu comecei há um mês e já tive 18 livros indo ou voltando. Ah, e quando você abre a conta, ganha 3 créditos para os primeiros 9 livros que adicionar, para poder começar a brincadeira. Eu recomendo!


PaperBackSwap.com

(Acho que se colocarem meu email como eu que recomendei eu ganho um crédito, mas juuuuro que não foi por isso. É muito bom mesmo.)

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Como é que eu explico?

Uma coisa é conhecer pessoas. Outra coisa é ir a um lugar onde você não só conhece pessoas tipo "amostra randômica" mas pessoas que têm a ver com você ("é mulher? é brasileira? mora em DC?"). Aí todo mundo fala, fala, fala, e se repartem por igualzinho presentes, pão de queijo, confidências, guaraná, opiniões, piadinhas, aflições, passados, vinho, good vibes. Depois (ou antes, dependendo do caso) vem a hora de ler o blog das mulheres, oh meu Deus! tantas mulheres, e entre o que foi dito e o que foi escrito sentir uma irmandade estranha como daquela vez no restaurante indiano, ver gente que se apaixona, que ganha, que perde, que casa, que casa até as filhas, que namora, que tira foto, que tem filhos, que trabalha, que batalha. Por hoje cansei, que já é tarde, mas vem mais por aí, meninas de DC.

quarta-feira, 29 de novembro de 2006








Help volunteers tackle community problems

New Heights is a revolutionary program that directs volunteers to where help is needed most. Your help enables more children to read, more battered women to find shelter and more ill to find comfort.




Give Now

sexta-feira, 10 de novembro de 2006

Cute, quaint, hungry, and romantic: the aesthetics of consumerism


(leitura: circa 20/agosto/07)

Verborrágico, exagerado, dramático e ao mesmo tempo lúcido e acertando na mosca, Daniel Harris faz uma análise da estética do consumismo na sociedade. Pois o que se compra não é o produto, é a nossa própria imagem: fofinhos, únicos, românticos, para cada qual há um produto que reafirma nossas posições e opiniões.

Para ler antes de entrar na Gap ou antiquário.

(Para saber mais, um review melhor que o meu.)

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Caminante no hay camino

Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.

Al andar se hace camino
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.

Caminante no hay camino
sino estelas en la mar...

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Domadora de Tensões.


Não resisti à caixinha e comprei esse chá, a marca é bem comum, mas a donzela de rubro domando o dragão é o que há.

PS: E entre as citações edificantes do site do chá:
"There is not much danger that real talent or goodness will be overlooked long." (Louisa May Alcott)

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Pê-ésse

A tirinha do último post me lembrou de um menino que vi hoje (na casa de outra amiga, que hoje foi o dia de ver gente), ele deve ter uns 10 anos, argentino, assistindo uma partida do Boca contra o San Lorenzo em que o Boca fez zilhões de gols (7x1, acabei de conferir). Cada vez que saía um gol ele exclamava "qué lindo!", com encantamento e não com a empolgação belicosa de alguns torcedores. Achei bonitinho.

A ver?

Ok, sem escrever há tempos, comecemos do mais recente.

Não quero contar historinha hoje porque já é quase hora de dormir. Tantos momentos neste blog funcionam como Polaroid, é isso o que eu quero hoje.

Quero lembrar da Anubha dizendo "thank you, thank you, thank you so much" em sua festa surpresa, depois indo de pessoa em pessoa, perguntando - "e você?", ao que a pessoa dizia o próprio nome.  É que ela teve um acidente em janeiro e perdeu a visão. Ela vê vultos e usa o computador usando um programa especial que mostra duas linhas na tela, enormes. Só assim para ela enxergar. Eu não a via há quase dois anos, e fui mesmo assim à festa. Um privilégio ver e ouvir (ah, e comer, que comida indiana é muito boa! terceira vez na semana, contando o delicioso jantar em Friendship Heights) mas talvez eu tivesse que me preparar mais, dei vexame, fiquei emocionada em vê-la e ficou fácil confundir minha emoção com pena. Não era. Era emoção mesmo, um monte de coisas que vieram à minha cabeça, a oportunidade de conversar com outras pessoas que lá estavam e que também não via há tempos. Uma delas foi uma professora do departamento que me incentivou à beça a trabalhar no que eu quero e ainda disse que vai fazer a aluna dela entrar em contato comigo "porque ela tem muitos interesses e eu não quero que ela fique entediada, eu quero que ela se mantenha feliz". E mais apoio ainda eu tive da Anhuba, dizendo que sim, eu vou arranjar um emprego, porque as coisas acontecem do jeito que têm que acontecer e que ela é a maior prova disso. Agora, dá pra ficar de olho seco com uma criatura dessas?

Na hora do bolo, ela parou e fez um pedido, a imagem mais linda que vi hoje, sua postura de meditação. Presenciei o costume indiano que manda que os convidados sirvam comida ao homenageado, todos pegaram um pedaço de bolo e fizeram a coitada comer, ela já estava que não agüentava! E no discurso ela disse que estava feliz de ter todos os amigos ao lado dela, que ela teve um apoio enorme da família e dos amigos e que estava tendo a oportunidade de ter um segundo primeiro aniversário, do qual ela se lembrará para sempre. Um amigo indiano rebateu na hora: "Primeiro aniversário? Por que as mulheres sempre têm que mentir a idade???".

Definitivamente, uma lição na arte de não reclamar da vida, tema que já se repetiu vááááárias vezes esta semana.

Para completar, tirinha do blog do Guilherme, amigo da Teca e juiz de trovas:



domingo, 27 de agosto de 2006

Oito coisas

1. Não aprendi a andar de bicicleta direito, como a Denise, porque só aprendi lá pros 19, 20 anos. Nadar também foi mais ou menos com essa idade e não tenho carteira de motorista até hoje.
2. Sou uma organizada teórica. Vivo lendo livros de organização mas continuo bagunceira.
3. Passo mais tempo online do que eu gostaria. E mesmo assim não escrevo no blog! Tenho uma lista enorme de projetos que quero começar online, ainda bem que ganhei este empurrãozinho!!!
4. Sou ambientalista sem carteirinha. Esse é um dos meus projetos: quero começar a escrever sobre as coisas interessantes que ando lendo, para ver se exercito aqui o Tico e o Teco a explicar minhas idéias.
5. Morro de saudade do Brasil. Mas não tenho vocação pro sofrimento, então aguardo confiante a próxima oportunidade de aparecer por lá e ver meus pais.
6. Tenho mau gênio. Minha mãe, quando perguntada, diz que eu sou muito "positiva", que sei o que quero e não tenho paciência com gente burra. Pra mim isso se chama mau gênio, minha mãe é que não quer admitir. E quando fico com fome, fico pior ainda.
7. Tenho vários medos, mas um deles é o de ser inadequada. Hoje, em especial, esse medo se realizou, fui a uma festa e fiz tudo errado!
8. Gosto da cor roxa e das cores do arco-íris, de jazz e boa mpb, de strogonoff ou arroz-feijão-farofa, de café, de cheiro de chuva, e de massaginha no ombro.

domingo, 16 de julho de 2006

R-E-S-P-E-C-T

(oo) What you want
(oo) Baby, I got
(oo) What you need
(oo) Do you know I got it?
(oo) All I'm askin'
(oo) Is for a little respect when you come home (just a little bit)
Hey baby (just a little bit) when you get home
(just a little bit) mister (just a little bit)

domingo, 2 de julho de 2006

Mãe Joana

Uma amiga minha, a Pat, sempre achou a minha casa um lugar estranho onde coisas antigas podiam ressurgir a qualquer momento, a foto da bisavó, um cartão de visita dos anos 60, o desenho que fiz aos quatro anos, o correio da semana passada. (Eu tinha a mesma sensação ao ir à casa dela, onde as revistinhas Disney e os discos de rock dos anos 80 conviviam com o papel de parede de outras épocas, depois arrancado impiedosamente pela estudante de arquitetura.)

Hoje mais do que nunca estou com a casa e a cabeça reviradas. A foto da bisavó está, literalmente, na mochila, e na mesa de centro repousam outras do último dia das bruxas. Os CDs em desalinho, louça para lavar, lixo para exorcizar, livros para devolver, roupas para dobrar, emails para responder, isso sem falar aqui na cachola para organizar e uma mala para fazer.

Information overload, ou só preguiça?

quinta-feira, 29 de junho de 2006

Lava os olhos meus

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

quarta-feira, 28 de junho de 2006

Fora do ar.

Sem Juju.
Sem tv.
Sem telefone.
Sem internet.

Só música e olhar pra parede.
Não bom.

sábado, 17 de junho de 2006

Sunrise, Sunset

Assisti a Before Sunrise/Before Sunset de uma tacada só, no dia 16 de junho que é o dia em que Celine e Jesse deveriam se encontrar novamente.

Poxa, eu também queria me encontrar novamente. Ou encontrar novamente todas as pessoas em quem eu pensei durante o filme. Não foram poucas.



Vêem as fotos aí acima? Uma loira, outra morena, Paris e Rio (na foto, pelo menos), mas o mesmo jeito doce, inteligente, às vezes um pouco Iansã, passional, alguma coisa no sorriso, no olhar, no levar o cabelo para trás do pescoço. E eu fiquei pensando quando é que ela vai andar por Paris com um sósia do Ethan Hawke a tiracolo. Torcida não falta.

Depois vi o tanto que aqueles dois conversam sem legendas, e com o resto da audiência discutimos se é isso mesmo que faz um relacionamento, se isso dura. Dura? Como é que funciona mesmo?

E andar por Paris, andar por Montreal, andar por New York, até pelo centro fedorentinho do Rio e pela Paulista com seus arranha-céus, tudo isso depende de companhia, não venha me dizer que não, claro que depende, deixe-me ir preciso andar...

Talvez o grande lance dos filmes seja que eles falam tanto, mas taaaanto, que em alguma coisa todo mundo se identifica, o medo da morte, o primeiro beijo, a vontade de conexão, algo aí ressoa dentro invariavelmente.

Também a passagem do tempo, como em outros filmes, traz a velha questão da mudança e identidade. Quem era aquela pessoa que há tempos atrás via uma igual a mim no espelho mas acreditava em coisas completamente diferentes?


Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

terça-feira, 13 de junho de 2006

Meg, responda com sinceridade...

...à pergunta do Tutty Vasques no mínimo capciosa:

Passatempo
O que a senhora gostaria de dar pro Chico Buarque no aniversário dele? Pense nisso agora que seu marido vai trocá-la pela Copa na TV. O artista faz 61 anos dia 19 de junho.
 

domingo, 4 de junho de 2006

Miscelânea Vanguardiosa 14

Corre lá que deve estar muito bom. Estou ouvindo agora.

sábado, 3 de junho de 2006

É a mãe! (ou, dia das mães atrasado)

Não esqueci do dia das mães não, liguei pras duas mais próximas que eu tenho. Agora estava tentando fazer a contabilidade das minhas amigas que são mães, resolvi fazê-lo em público... Aliás, vou fazer a contabilidade dos pais também, pra me sentir velha meeeesmo.

CSM: Michelle (Luiza e Priscila, gêmeas), Márcia (vai ser Rafael)
CSU: Ana Paula (Pedro), Patrícia (Laura), João Marcelo (João Gabriel e Diana), Liliana (Laura, notícia via Mary)
Sion: Maria (faz tempo, Luana), Manuela (Luana), Lara (Mel), Tati (Bernardo), Paulo (Laura e Ricardo)
Campinas: Ana Luiza e Cris (Eric), Celeste e Richard (Daniela), Fernando (Guilherme), Marcio e Anabella (Lucca* e Danilo), Liliana (Carolina*), Gustavo e Alessandra (Analía*), Jordy (Gabi)
Maryland: Matt, Pablo (Daniel*, 15 anos!), Fabiano (grávido)
Virtual: Adriana (Babi), Cris e Anna (vai ser Clara), Liesl (Minduim)

*Só o Lucca, a Carolina, Analía e o Daniel eu tive a chance de conhecer e conviver um pouco. O Daniel nem conta na classificação "filho de amigo", porque eu o conheci já com 12 anos e papo de 17.

Estou em falta com a nova geração...

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Estamos, meu bem, por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo acordar
E a gente dormir
Pro dia nascer feliz

sábado, 20 de maio de 2006

Nowhere Man (Tom Mueller)

In plainest terms, expatriate are those who live for a significant period of time ex patria, outside their native land. They aren't travelers, for they establish a new home elsewhere, as travelers do not. Nor are they emigrants, who embrace their new home as their only home: naturalizing, creating another life, and rarely looking back. Expats settle in a new homeland, yet maintain some spiritual link with their country of birth, and often intend, however hypothetically, to return there someday. It is the tension between birthplace and new homeland that muddles things so badly - and makes them so interesting.

(...)

Another crucial barometer of the expatriate condition is language. Proficiency in a foreign tongue eases your interaction with the locals. With time, as proficiency becomes fluency, language also determines to what extent you may seem like a local yourself. After nine years here, I speak Italian well enough to be mistaken for a native speaker. And yet there are times (and there always will be) when a bookish turn of phrase, or an outright blunder, still unmasks me. I feel like a slightly colorblind chameleon, never quite sure how well I'm blending in. And even when no one else in the room knows my secret, it's always with me: I'm forever waiting to be found out.

(...)

We all have a home in our head - part memory, part fantasy, part projection of self - where we feel "grounded," where we can let down our guard and be more fully ourselves. But expats have a unique recipe for rootedness, regardless of their location: a highly personal blend of people, language, religion, music, and old stone structures real and imagined. The result is home, which, even more than beauty, is in the eye of the beholder.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

O sonho

I had a fish in my back pocket
I got it out
It fell in the tub
started swimming
and had lots of babies.

segunda-feira, 8 de maio de 2006

quinta-feira, 4 de maio de 2006

Adivinha o quê...

Vai ser como tirar o peso do mundo das minhas costas.
Vai ser como parir, exceto que parir é mais rápido.
Vai ser como ter um aniversário que dura uma semana.
Vai ser melhor que carnaval.
Vai ser " como se o mundo estivesse à minha espera. E eu vou de encontro ao que me espera.".
Vai ser a coisa mais importante que aconteceu na minha vida nos últimos dois anos.
Vai ser melhor que dançar na chuva.
Vai ser como se eu tivesse um tempo infinito pela frente.
Vai ser uma carta de alforria.
Vai ser muito bom.
Vai ser muito bom meeeeesmo.
Vai ser um alívio e uma alegria.
Vai ser uma festa lá no Rio, e em Minas.
Vai ser a notícia da semana na Santa Fé.
Vai ser um espetáculo de fogos, que nem festa junina.
Vai ser uma bebedeira totaaaaal.
Vai ser em breve.
Me aguardem.

terça-feira, 25 de abril de 2006

Voltando à vaca fria

Eu sei que o assunto está ficando velho, mas juro que é a última vez...
Quis colocar um contador no meu esforço quase heróico (eu gosto muito de tv, é isso):

domingo, 23 de abril de 2006

Mínimas atarantadas

- Eu diria que ninguém nunca morreu disso se soubesse que, de fato, ninguém nunca morreu disso. E eu acho que já!

- Sonho de consumo: uma lavadeira.

- Comprei o livro do filme 42 Up. Muito bom. Recomendo o filme, o livro é para importar citações da melhor qualidade.

- "Aprendi", finalmente, a jogar xadrez. Mal, lógico. Mas aprendi.

- Receber email longo (curto também servia, mas veio longo) de quem não se vê há anos, depois de um curto sumiço online, cheio de novidades boas do lado de lá e torcidas pro lado de cá. Tem coisa melhor?

- Ganhei pulseirinha e hamsah de Israel. Chiiiique que só eu.

- Falta pouco. Falta pouco. Falta pouco.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

terça-feira, 11 de abril de 2006

Weapon of Mass Distraction

Estou há 40 dias sem televisão.



Via Lifehacker.

sábado, 8 de abril de 2006

Sem fim

Ela acreditava no amor e por isso já não estava esperando. Sempre soube procurar beleza no fugaz e se duvidava, às vezes, se o fugaz não era mais belo só porque não deu tempo. Mas porque não tinha paciência com filosofia tentava mesmo era viver, e vivia enfileirado. E porque o amor era belo mas não raro, resolveu viver sem a moral bourgeois tão em voga nos seus meios. Resolveu é dizer, tentou. Eu não tinha amor por ele, ao depois amor pegou. Sem esperar, veio, tranqüilo como na canção repetida à exaustão, tranqüilo até demais, desamarrado, solto. Com isso aprendeu a manobrar, navegar, gritar, aprendeu a tirar do chão a força do chão e do mar a força do mar, aprendeu a sentir o vento e respirar de acordo, aprendeu que a raiz cresce buscando outra seiva, enraizar na terra é mais difícil e melhor.

Começo meio e fim.

Só faltava ele soltar essa, como nos filmes: Baby, eu vou tirar você desse lugar. Eu acreditaria. Fácil. Ele já veio com pinta de herói, querendo parecer maior do que é, olhando firme e beijando forte, respirando rápido e falando sussurrado. Eu tentava rir e não descer do meu arzinho superior, por dentro a garota de sempre incrédula achando que a maravilhosa devia ser outra, desculpe, moço, foi engano. Da cozinha pra mesa da sala, daí pro sofá, daí pra cama. Ao todo, 6 línguas, dos beijos perdi a conta, uma adolescência inteira worth of kisses. Estranhamente, a conversa também era de colégio: livro, computador, escola, amigos de escola, namoradas, namorados, família, babá, comida, cursinho, futuro, carreira. Quando chegou a hora de dizer tchau foi uma coisa muito sofrida mas também muito lúcida, dois adultos escolhendo caminhos distintos mas mantendo o carinho de antes.
A história toda durou dois dias.

Largança

Eu estava mesmo precisando de uma aventura, e lá estava ele, do outro lado de uma dessas janelas que tecnicamente não vão dar em lugar algum. Um dia ele veio do lado de cá da janela, e confessamos nossos vícios - depois nos atiramos neles. Ele reparava em mim e às vezes dizia que eu estava bonita, nunca que eu era. Também observou como eu fumava e disse que era em little baby drags. E ria das minhas paranóias.

Boa parte do tempo eu não sabia o que ele estava pensando. Como eu tentava!, como eu reparava!, nunca descobria. Se era ambíguo ou se um lado era fingimento, nunca cheguei a saber. O pequeno gênio sempre com a mente anuviada, o menino rico se fazendo de gangster, apaixonado com todas as suas células e fingindo frieza, uma alma feminina agindo masculina, e a pele de bebê com cheiro de cigarro.

Pendurei o meu vestido, costurei, lavei, fiz doce, não literalmente, porque não é assim quem sou, mas eu queria aquele homem mastigando perto de mim não como amante, como um amigo de horas atrás com quem se dividem as velhas piadas de sempre. Nasci mesmo na época errada, deveria ser do tempo em que um bom caso rendia ao menos uma crônica, ou duas, ou três, mas o que há de se esperar de alguém que nunca soube o que é um Rubem Braga na vida?

Quem sabe seja a hora de deixar que ele vá. Ninguém disse que vida de bruxa era fácil.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Baby, baby, I love you.

You know, you must try the new ice cream flavor
Do me a favor, look at me closer
Join us and go far
And hear the new sound of my bossa nova
Baby, baby
It's been a long time
You know, it's time now to learn Portuguese
It's time now to learn what I know
And what I don't know

Baby, baby,
I love you

segunda-feira, 3 de abril de 2006

A sub Rosa, o super Rosa, e nossas veredas.

Todos estão loucos, neste mundo? Porque a cabeça da gente é uma só, e as coisas que há e que estão para haver são de mais de muitas, muito maiores diferentes, e a gente tem de necessitar de aumentar a cabeça, para o total. Todos os sucedidos acontecendo, o sentir forte da gente - o que produz os ventos. Só se pode viver perto de outro, e conhecer outra pessoa, sem o perigo de ódio, se a gente tem amor. Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura.

Riobaldo em "Grande Sertão: Veredas" de Guimarães Rosa
(e descaradamente roubado da Meg)

sábado, 1 de abril de 2006

Happy Birthday, Gmail!




I love you!

(Oh, speaking about love: this year's April Fool's is all about romance, complete with a matching blog entry. If only the darn calendar were released soon...)

quinta-feira, 23 de março de 2006

Pra mim que amo estrada aberta

O pode-cast que tem música brasileira de primeira qualidade, tem o chefe narigudo mais inteligente e musical da paróquia, tem sotaque carioca, tem teoria musical, esta semana tem trios, incluindo Hermeto + Airto + Ron Carter, e tem também referência às palavras de ordem que saíram da cabeça do Mário Lago pras mãos dele, das mãos pro papel, do papel para a voz, da voz para o disco, do disco para uma caixa de som, da caixa de som diretinho pra minha lista de coisas a prestar atenção e seguir à risca:

Três coisas pra mim no mundo
Valem bem mais do que o resto

Pra defender qualquer delas

Eu mostro o quanto que presto
É o gesto, é o grito, é o passo

É o grito, é o passo, é o gesto

O gesto é a voz do proibido
Escrita sem deixar traço

Chama, ordena, empurra, assusta

Vai longe com pouco espaço
É o passo, é o gesto, é o grito

É o gesto, é o grito, é o passo

O passo começa o vôo

Que vai do chão pro infinito

Pra mim que amo estrada aberta

Quem prende o passo é maldito

É o grito, é o passo, é o gesto
É o passo, é o gesto, é o grito

O grito explode o protesto
Se a boca já não dá espaço

Que guarde o que há pra ser dito
É o grito, é o passo, é o gesto

É o gesto, é o grito, é o passo
É o passo, é o gesto, é o grito

(Mário Lago)

PS: O áudio veio da página do Acuri.
PPS: Fala de gesto, lembro dela.

domingo, 19 de março de 2006

Mínimas

  • Do obituário da minha televisão:
Not only I gave up on tv, my tv also gave up on me - for Lent and beyond. It went out in grand style, with a sad click, the sudden darkness and a weird smell, right in the middle of Pride and Prejudice this Friday night.
  • Meguita gostou do link da Bettie. Como diz meu amigo aqui: "diliça!".
  • Sonhos cada vez mais esquisitos. Vixe, sai pra lá... Quando são bons é bom, mas esses roteiros emprestados de filme de ação são de quinta!
  • O filme Pride and Prejudice, que nós terminamos assistindo no laptop da Juju, me deu vontade de agarrar um livro da Jane Austen e ficar me deliciando com as heroínas cabeçudas dela, e de ver a versão inglesa com Colin Firth. Dili... ah, deixa pra lá.
  • Assustador, ontem: colocar o disco do Leo Jaime que eu ouvia quando tinha 10 anos e ainda saber toooodas as letras de cor, e cantar junto inclusive o solinho de guitarra de "eu vivo só".
  • Comprei 4 cds usados por 7 dólares, uma moça muito econômica. A saber: REM, Out of Time, por 1 dólar, Marisa Monte, Great Noise (com os peitinhos do Zéfiro devidamente cobertos por uma tarja preta, a indecência!), 1 dólar, Bebel Gilberto, Tanto Tempo, 2 e 50, e Egberto Gismonti, Nó Caipira, 2 e 50. Voltei pra casa bem contente, tá?


terça-feira, 14 de março de 2006

Desejo de regresso

Deixai-me nascer de novo,
nunca mais em terra estranha,
mas no meio do meu povo,
com meu céu, minha montanha,
meu mar e minha família.

E que na minha memória
fique esta vida bem viva,
para contar minha história
de mendiga e de cativa
e meus suspiros de exílio.

Porque há doçura e beleza
na amargura atravessada,
e eu quero memória acesa
depois da angústia apagada.
Com que afeição me remiro!

Marinheiro de regresso
com seu barco posto a fundo,
às vezes quase me esqueço
que foi verdade este mundo.
(Ou talvez fosse mentira...)

Cecília Meireles
(in Mar absoluto)

De repente eu percebo que não é só a sopa que eu tenho que digerir...
Há todo um saldo e dívida de abraços por receber e dar, e não tem um caixa automático por perto quando eu mais preciso, só em sonho mesmo é que os abraços aparecem até inesperados, mas trazendo um conforto que me acompanha pelo dia inteiro.
E o pior de chorar olhando pro teto com medo do escuro é a lagriminha que entra furtiva no ouvido, estragando o romantismo todo da coisa.

Ao vivo, de dentro da colcha lilás.

quinta-feira, 9 de março de 2006

How I did it

For ages I intended to clean my computer of the ageing of Windows XP
with its cluttering files, all the programs that I installed and
uninstalled and installed again and didn't use anymore, and my own
useless junk. Ages, I said? A few months, the total age of the system
being around 18.

Less than a week after I took the plunge, lifehacker.com editor Gina
Trappani gave instructions for exactly that. I noticed I wasn't that
far off. Yay!

Here's how I did it:

1) I bought an external HD because, they say, backing up is
important. And because of what I know I'm capable of. I'm the kind of
computer user who knows just enough to screw things up. I proceeded to
back up everything on my laptop's HD.

2) A few days later (during Carnival), I decided to reinstall Windows with the cd that
came with my system. I asked around for support and encouragement,
which I got from Leo and Azy (thanks!). I checked for documents I had
altered in those few days, and backed those up. I should have used
mozbackup to backup my firefox (although I had the bookmarks), or the
docs and settings feature of Windows XP, but one of my purposes was to
get rid of my own stuff, so I didn't bother.

3) Disk in hand, I reinstalled Windows. Wasn't that difficult. I
thought I would have to curse a few times, but it was unnecessary.

4) Back online! My pendrive had the key for the wireless connection.

5) Install the fresh programs from Google Pack. Beeeeeautiful. I
didn't install all the programs, but it was a huge help: Ad-Aware,
Adobe Reader, Google Desktop, Firefox, Picasa and Trillian all at
once.

6) Tweaking is my middle name. I got rid of the "bubbly feel"
(wakalix's choice of words) of Win XP sometime ago, and changed
several other things: no startling sounds, no confirmation for
deleting files, show me the whole path on the window, remove the
programs I didn't want, switch start menu to classic view (more
below), disable error reporting,... Hard work, but my machine is my
machine and it's exactly the way I want.

7) Customizing the start menu. I want access to the programs and I
want it FAST! No digging through all the folders and programs in
simple alphabetical order. So now I have just the shortcuts for the
programs in one of the three main program folders (Web & docs,
Housekeeping and Media), no uninstall shortcuts or licences or help
files. I can always get to those the difficult way.

8) More software, this time, the stuff I really need: Office, VPN,
Viruscan and Endnote. The first three were free from the university,
Endnote is a life saver worth every penny.

8) I didn't bring all the stuff back. My photos, music and personal
files are only in the external HD. I understand at this moment it's
not backup anymore, but I can live with that.

9) I put a folder named Junkdrawer on My Documents and it's working
really well. I will try to make my folders as I go along, and keep
them sensible.

10) Manteinance. Place your bets, I wonder how long I can keep
everything this clean and organized. Meanwhile, in my bedroom...

quarta-feira, 8 de março de 2006

Pining for Pine

I want Pine baaaack! Gmail shortkut keys help, but it's not the same as "dddxy"!

Fortune Magazine brings the secrets of very successful people:

I don't feel overwhelmed with information. I really like it. I use Gmail for my personal e-mail -- 15 to 20 e-mails a day -- but on my work e-mail I get as many as 700 to 800 a day, so I need something really fast.

I use an e-mail application called Pine, a Linux-based utility I started using in college. It's a very simple text-based mailer in a crunchy little terminal window with Courier fonts. I do marathon e-mail catch-up sessions, sometimes on a Saturday or Sunday. I'll just sit down and do e-mail for ten to 14 hours straight. I almost always have the radio or my TV on. I guess I'm a typical 25- to 35-year-old who's now really embracing the two-screen experience.

Marissa Mayer
VP, Search Products and User Experience, Google

 (Via Lifehacker)

São centenas, são milhares.

Heloisa e Lavínia, de Suelly, de Maria Rita e Antônia, de Irinéia, Marfiza e Mariana, de muitas outras...

E ao contrário, de Antônia, Arly, Maria e Ady, Denise, Marília, Marcia, Arlene, Nisinha, Anelise, Cristiane, Cássia, Clarisse, Marceny, Marly, Fernanda, Regina, Marina, Elisa, Laura, Marizete, Eny, Maira, Marta, Marfisa, Mariana, só algumas.

E de Maria Rita, claro, Marcia, Maria Rita, Miriam, Fabíola, Flávia, Marcinha, Maíta, Maria Fernanda, Ravit, Giovana, Júlia, Marcella, só pra começar.

Feliz Dia da Mulher.

terça-feira, 7 de março de 2006

Tudo que a antena captar meu coração captura

         a mãe diz pra eu fazer alguma coisa
         mas eu não faço nada
         a luz do sol me incomoda
         então deixa a cortina fechada
         é que a televisão me deixou burro
         muito burro demais

Desde quinta passada até (pelo menos) a Páscoa, exceto pelos domingators. Sobrevivo?

segunda-feira, 6 de março de 2006

Nerdice pouca é bobagem...


A estante da memória a um clique de distância, ou: o truque para me sentir querida o dia todo.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Que liiiindo!

Um site pra lá de retrô. (Via Terceira Base.)

sábado, 25 de fevereiro de 2006

Datado 16/agosto/2005

Vamos fazer o seguinte: continuar escrevendo até doer a mão, na era
digital dedos. Pois quando foi que as coisas deixaram de sair de mim
na forma de letrinhas? Todos aqueles gritos em marcador vermelho no
espelho do banheiro... Agora até email, bilhete bobo, sai com apagões,
riscos, backspace.
Continuar escrevendo, continuar dizendo o que não digo em lindas
entrelinhas. Desabafar num diário semanário o que seja. Pensar no lado
bom: backspace burila, não é mesmo?
Criar intimidade com o teclado, com as palavras vãs ou não.
Intimidade. Nem sempre contato é intimidade, tem que anotar isso na
cabeça. Vai ver intimidade está overrated e o que vale mesmo é ser
visita sempre.
E já que estamos nos aprendizados e nas notas mentais, outras
coisinhas para lembrar: que o sim é sim e que o não é não. Que quem
tem amigos não passa mal, já dizia a amiga. Que tempo não é infinito.
Que minha vida está esperando.

sábado, 11 de fevereiro de 2006

Antes, o cotidiano era um pensar alturas*

Bam barambambam
ouço a banda tocar
e depois me toco
de que tudo o que há
é silêncio, e a geladeira
a respirar.

Num tic tac sem fim
o relógio dá as horas
todas suas a mim
sem tocar o cuco
porque não é de tempos
antigos assim.

Coluna em posição
de macarrão escorrendo pela pia
deixo meus olhos cansados
tocarem de ouvido versos
que meus dedos vão digitando
sem rima
como desculpa para evitar
a cama sozinha.

E a todas as outras madrugadas
se junta esta madrugada
que nem é de insônia
durmo quando quero
se junta meu penar
meu querer
até minha solidão se junta
ao tempo que vai passando.

Amanhã acordo tarde
quando as neves de antanho
vierem acordar
a dona do Paracleto,
a mulher do filósofo.

Eu avisei que não tinha rima.

*o título é um verso de Hilda Hilst

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2006

Um ingrediente a menos



- Tira a verbena do caldeirão, rápido, rápido!
Ufa.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2006

Très sage, oui.

Où est la très sage Helloïs,
Pour qui fut chastré, puis moyne
Pierre Esbaillart a Saint Denis?
Pour son amour ot cest essoyne.
(...)
Mais ou sont les neiges d'antan?

terça-feira, 31 de janeiro de 2006

It's all about dreams

As pessoas sonham todo tipo de coisas: que estão gravando CDs, com amigos distantes, que estão fazendo sexo, com amigos próximos, com um futuro melhor, com um bom emprego, em ser embaixadores por duas semanas, em voltar pra casa, com ter casa, que estão voando, com coisas que parecem sonho mas não são e vice-versa. Sonho dormindo é aventura, sonho acordado é desejo.

Say nighty-night and kiss me
Just hold me tight and tell me you'll miss me
While I'm alone and blue as can be

Dream a little dream of me


Stars fading but I linger on dear

Still craving your kiss

I'm longin' to linger till dawn dear
Just saying this


Sweet dreams till sunbeams find you

Sweet dreams that leave all worries behind you

But in your dreams whatever they be

Dream a little dream of me

domingo, 22 de janeiro de 2006

Bird on the Wire

Like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.
Like a worm on a hook,
like a knight from some old fashioned book
I have saved all my ribbons for thee.
If I, if I have been unkind,
I hope that you can just let it go by.
If I, if I have been untrue
I hope you know it was never to you.

Like a baby, stillborn,
like a beast with his horn
I have torn everyone who reached out for me.
But I swear by this song
and by all that I have done wrong
I will make it all up to thee.
I saw a beggar leaning on his wooden crutch,
he said to me, "You must not ask for so much."
And a pretty woman leaning in her darkened door,
she cried to me, "Hey, why not ask for more?"

Oh like a bird on the wire,
like a drunk in a midnight choir
I have tried in my way to be free.

(Leonard Cohen, mas interpretado por Autorickshaw)

terça-feira, 10 de janeiro de 2006

terça-feira, 3 de janeiro de 2006

Pós-escrito

Deja caer las agujas sobre el regazo. La mecedora se mueve imperceptiblemente. Paula tiene una de esas extrañas impresiones que la acometen de tiempo en tiempo; la necesidad imperiosa de aprehender todo lo que sus sentidos puedan alcanzar en el instante. Trata de ordenar sus inmediatas intuiciones, identificarlas y hacerlas conocimiento: movimiento de la mecedora, dolor en el pie izquierdo, picazón en la raíz del cabello, gusto a canela, canto del canario flauta, luz violeta en la ventana, sombras moradas a ambos lados de la pieza, olor a viejo, a lana, a paquetes de cartas. Apenas ha concluido el análisis cuando la invade una violenta infelicidad, una opresión física como un bolo histérico que le sube a las fauces y le impulsa a correr, a marcharse, a cambiar de vida; cosas a las que una profunda inspiración, cerrar dos segundos los ojos y llamarse a sí misma estúpida bastan para anular fácilmente.


Julio Cortázar, Bruja, en La otra orilla, en Cuentos completos v.I, ed. Alfaguara, pp. 66-72.

Snapshot

Em qualquer dado instante.

Firefox, 9 tabs. 2 ou 3 páginas de gmail, uma com foto do amigo vampiro, uma página com meu fluxo flickr, uma canção nova de Juliano Polimeno, uma janela de orkut com scrapbooks de amigos queridos da Unicamp, outra janela orkútica com fotos do Chefe e sua Pequena, uma tela de fundo da Lucy - The Doctor is In.
A chuva lá fora, a tv ligada em mute num programa de que não gosto, xícaras pela casa toda, uma taça de vinho não muito novo, a luz do banheiro acesa. A colcha de retalhos lilás.
Um cd no drive com memórias incompletas de outras vidas, a janela de downloads ainda segurando a minha música, a minha que foi feita pra mim, ouviram, papudos? que eu ouço cada tanto.
A voz da minha mãe ao telefone hoje de manhã, louça suja na pia, dor no joelho e no pescoço, alguns emails importantes para escrever, a cama desarrumada, os jeans surrados. Oficialização de coisas, saudade do logo ali, frio úmido, e um sentimento que eu não consigo definir muito bem.
Pequena nota mental com referência ao início d'A Bruxa de Cortázar, um telefonema por fazer, vontade de vasculhar antigos arquivos de novo. E um telefonema que eu não faço mais.
O começo do ano.

Mas de que eu estava falando mesmo? Feliz ano novo, todo mundo. Vai ser bom.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2005

Cortei o cabelo e fiquei a cara da Anne Bancroft

- Ben, what are you doing?
- Well, I would say that I'm just drifting. Here in the pool.
- Why?
- Well, it's very comfortable just to drift here.
- Have you thought about graduate school?
- No.
- Would you mind telling me then what those four years of college were for? What was the point of all that hard work?
- You got me.


- Mrs. Robinson, you're trying to seduce me.
- [laughs]
- Aren't you?
- Benjamin, I am not trying to seduce you.
- I know that, but please, Mrs. Robinson, this is difficult...
- Would you like me to seduce you?
- What?
- Is that what you're trying to tell me?
- I'm going home now. I apologize for what I said. I hope you can forget it, but I'm going home right now.

domingo, 25 de dezembro de 2005

tem problema...

eu estou escrevendo isto com meu pé. juro.

terça-feira, 13 de dezembro de 2005

terça-feira, 6 de dezembro de 2005

Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia,
Eu não encho mais a casa de alegria.


what if I begin feeling in english, what if the curse is lifted, what if everybody who cares can save me from myself, what if the night doesn't crawl on me, what if the cold suddenly makes everything alright, what if crying actually takes you somewhere, what's with the love between the cobblestones, what if not belonging is just a way of life, what if 'loser' is just one more fad, what if I low carb my friendships, what if I pack up and go, what if I stay little valentine stay, what if you take me with you, what if the dirty laundry takes over the house, what if I just numb the what ifs with sleep? huh? what?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2005

Para não dizerem que a maluca sou eu...

Algumas pessoas do meu convívio, em vídeo, aqui.

segunda-feira, 28 de novembro de 2005

Bossa nova confessions

- I always liked people who knew about music.
- Oh, yes?
- Yes. Maybe because all the guys in my high school would talk about bands, and players, and all the stories and details, and I used to think "Wow. That's cool. I can't do that, but that's cool".
- So you like people who know classic rock?
- Yep.
.............
- What's that?
- That what?
- The radio. Who's the band?
- Led Zeppelin.
- See? I know nothing!
- That's Led Zeppeling! They were an important band! Robert Plant, Jimmy Page...
- That's the thing, I know names, I know they were important, I just haven't been exposed, I don't know how they sound.
- What? You didn't have Led Zeppelin in Brazil?
- Yes, bobo, we had Led Zeppelin in Brazil, but I was too busy listening to Tom Jobim. Besides, we didn't listen to music in my house, and I didn't hang out with friends to listen to music.
- Oooh... too nerdy?
- Yes... And besides, my girl friends didn't listen to classic rock.
- Oh, no? What did they do?
- We gossiped and shared secrets about boys who listened to classic rock.
- Was that a secret?
- Well, it was a secret that we liked them...

Turns out I still like boys who like classic rock, the same ones and new ones, and turns out some of them like Jobim too. They play the drums, they compose music, they like Hermeto, they collect records, they play Miles at the best times. Now ain't I lucky?

- Do you urubu?

sábado, 12 de novembro de 2005

Anti-consumerism-rant-slash-wish-list.

Even before I had a name and mounds of websites explaining it, I have been obsessing about the simple stuff. This year was all about simplyfing, simplicity, and so on.
Call it what you want, environmentalism, cheapness, reducing modern life stress...
Oh well, the holidays are coming. Despite the fact that I never celebrated Thanksgiving (or Halloween, for that matter), and that I'm away from my family (for the 6th straight year), I like the holidays. But I'm not looking forward to running around, singing carols, shopping, cooking, eating, getting fat, getting crazy, getting stuff.
Part of the problem is that I am not making money enough to shower my friends with gifts, but also I worked very hard on decluttering my house all year long to get caught in the whole thing.
I don't know if I'm being too radical, but I'm not alone: turns out I found some friends who are gonna advocate for buynothingday.org. Other websites (thanks, God) also have the same drift: buynothingchristmas and hundreddollarholidays.
So I'm seriously thinking about going tree-hugger on my friends and kinda preaching about my philosophy on acceptable gifts - I still like gifts, mind you.
This is a summary of whatever the radically simple people out there might suggest you give this Christmas and that I'm taking for my birthday (wink, wink) since I'll have a kick-ass party at Franklin's.

No-gift gifts

buyables

The moderates start the list with buyables, but they should be fair trade and everything, or consumables, like tea or coffee or chocolate, hmmmm, chocolate! Oh, and Vertigo has nice books always on sale - this is a little off-topic, but I just like them, they are a nice neighborhood store.

used

yours - Yes, I want your stuff. If you don't use it and think I'll like it, tell me why and I'll be happy to have something to remember you by.
thrift - Instead of buying something new, buy something at valuevillage or a garage sale, I'll still appreciate it as long as it doesn't smell musty (and it usually doesn't if it is a thrift store, they are careful about this stuff). A book (with a nice dedication, please) or a cd (cd exchange, right next to the gyro place) are good choices.
swap - I'm thinking about holding a swap party to exchange odds and ends (not as gifts, just as a recycling effort). There's always an outgrown sweater, the odd china, I don't know. Ellen, help me here.

home made

I don't really like the idea of going Martha on holidays, because it only adds to the end-of-year stress. Who wants to slave over arts and crafts if - let's be sincere - they are not gonna look that great afterwards? Unless, of course, it's something you do well and easily, like a compilation of your favorite songs or a notebook with recipes so easy even I can cook (there's a challenge!) or printed pictures of all the parties we went to this last year...

time

teach - C'mon, teach me, tiger. There are so many things I can't do: sing, cook, do laundry...
be my slave - Offer to cook for me, fix my computer or drive me around. I promise I won't be too demanding. And it doesn't have to be now, during the holidays.
quality time - Let's spend some time together... No, really, let's have dinner somewhere, go walking, talk, have tea.

memories

photos - Print me pictures. Add funny captions.
cds - Compile those tunes. No pagode, pleeeease.
performance - Sing for me! Write me a card!
artwork - But no breakables.
displays of affection - Give me a hug, for God's sake!!! It doesn't sound like it, but I'm pretty easy to please...

terça-feira, 8 de novembro de 2005

To be framed and cherished until 2010.

It's a postcard-sized, peach-colored piece of paper I got in the mail today. It says:

November 3, 2005


Dear Resident:

As requested, your address was removed from our list on 10/1/05       .

It takes 6-8 weeks for this process to become effective as ADVO pre-prints its mailing labels in advance. Your delete status will remain effective for a period of five years. You will need to contact us again by 8/1/10       to reapply your removal request for an additional five years.

[paragraph about how I'm missing out by not receiving their offers and that other companies may mail me with other catalogues too]

[paragraph with the address to write to if I opted out by mistake. ha!]


This is the awesome prize I get from the afternoon of boredom when I excluded my address from those pesky grocery ads that come with the missing child thing. I used Shopwise's parent company customer support. I also tried to stop ValPack, I don't know how that went. (btw: they are lying, they don't really need your email.) I also stopped all other catalogues by going to the dma website and mailing them (oh, yes, they charge you to do it via web). I know it really seems to the untrained eye that I have nothing to do or am an annoy-ing/ed grandma, but I really hate the ritual of going straight from the mailbox to the recycling bin. Let's hope they keep their word and leave me junk free until 2010. Or the next valued resident.

UPDATE: I got the missing child slip from ShopWise and NO GROCERY ADVERTISEMENT!!! Ohhhhhh...
UPDATE2: For a more complete guide to opting out, check the Center for Democracy & Technology guide

domingo, 6 de novembro de 2005

Ô joga fora no lixo!

Via 43 folders:

You have way too much crap.
I'm just guessing. Guessing that right now, in your life, in your closets and in your garage and in your car trunk and in your brain and even in your desk drawer you have way, way too much stuff, far more than any one person or single family needs and, oh my God, have you even seen your closet lately?

If there's one upside to these [decluttering] shows (superficially, at least), it's how it might, just might, slowly dawn on a few viewers that more does not equal better, that excess crap actually equals undue stress and nausea and burden, and that, in truth, the more junk you have, the tackier it looks. Hey, anything's possible.

It is one of the healthiest things you can do. Honest psychologists and good spiritual healers often advise patients with overactive minds and squirrel-like attention spans and problems focusing and problems sleeping, they will tell them not to pop some Ritalin or merely take an herbal tincture and eat more leafy greens, but to go home right now and, yes, clean out your closets. Clear out your clutter. Strip it all to the beautiful essentials and then keep it that way.
Os grifos são meus e ninguém tasca.

sábado, 29 de outubro de 2005

A manivela

Uma reza atendida em onze dias tá valendo ou é muito devagar?
Eu tô achando é bom.

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Maria Rita

Vovo' Rita faria 100 anos. Hoje.

Weno knows me



Não era pra ser eu, não, mas que tá igual...

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

Maçaneta.

Todas as maçanetas aqui são colocadas de cabeça pra baixo. A maçaneta embaixo, o buraco da fechadura logo acima, a chave entra com a serrinha pra cima, para abrir você gira no sentido do batente, para fechar gira no sentido contrário.

Quatro anos e ainda não me acostumei.

Site feed

I loooove it. Minha voltinha diária ficou bem mais fácil...

Domingator Cinemator Theme Song

The Artist formely known as David Eisner graciously shared with us his theme song for Domingator Cinemator. Domingator fans worldwide thank you, David.

this is an audio post - click to play

segunda-feira, 24 de outubro de 2005

O mesmo novo velho

Tia velha rides again.
Impressão minha ou esta joça está andando em círculos???

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

Da nota de mil

Não vou viver com ninguém. Viverei com o Catete, o Largo do Machado, a Praia de Botafogo e a do Flamengo, não falo das pessoas que lá moram, mas das ruas, das casas, dos chafarizes e das lojas. Há lá coisas esquisitas, mas sei eu se venho achar em Andaraí uma casa de pernas para o ar, por exemplo? Contentemo-nos do que sabemos. Lá os meus pés andam por si. Há ali coisas petrificadas e pessoas imortais (...)

Machado de Assis, "Esaú e Jacó"

Mínimas

- Estão voltando meus superpoderes.
- Agora que meu único meio de comunicação é o email, eu checo a cada 15 segundos quando estou no computador. Quando estou longe do computador consigo mais ou menos manter a compostura.
- Uma garoa fina que só dá vontade de dormir.
- Engraçado ver as pessoas aqui pronunciando "Domingator Cinemator"!

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

Simples assim

Eu não disse que estava tentando simplificar?

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

Ou o meu msn, ou o meu yahoo messenger, ou o meu google talk...

terça-feira, 18 de outubro de 2005

Não me condenem por obscura

Mas...

O deus mudança me mostrou o prazo de validade das coisas. Querer por capricho é mau. Interromper o que se gosta por auto-disciplina nunca foi o meu forte.

Dá cá uma garrafa e promete, por favor, que aberta soltará todos os cheiros, diálogos, afagos, barulhos e a cor. Só por um instante. Ben Harper na vitrola, please?

Logun-edé sumiu pros lados da África, bem escondido. Achei agora um canto de Oxum, flagras fáceis da origem do mito.

O meu blog, estas palavras loucas que ninguém vai entender, às vezes me lembra - só eu com a chave das palavras - daquela faísca no escuro.

A ver se os fantasmas voltam para pelo menos dar notícias. A esperança da bruxa é que, na véspera do seu dia, o canto no meio da madrugada possa evocar o fantasma estranhamente querido.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Oi, Vó.

Entrei no metrô cansada. Linha laranja, linha vermelha, linha verde. Na linha verde olho, olho de novo. Vó Totônia. Os mesmos cabelos, castanho-esbranquiçados, descendo pelas costas num coque que desmanchou. Os mesmos olhos, o mesmo jeito de olhar que a gente vê nas fotos. A saia reta até a canela, o casaquinho por cima da blusa, meias e chinelos de couro. Ainda bem, se eu visse havaianas amarelas ia morrer do coração. Eu já estava ali, com o olhinho raso, tentando não encarar, ela puxa os óculos de leitura e começa a ler jornal. Tinha que ser jornal? Tinha. Tinha que ser o Washington Post com uma foto sem mais tamanho do Einstein na contracapa que estava virada pra mim. Comecei a chorar que nem uma doida. Chegou minha estação, desci, ela desceu, estava andando logo atrás de mim, apertei um pouco o passo, chorando, olhando para trás de vez em quando, vencendo a vontade de falar com ela, falar o quê, meu Deus? "você parece a minha avó!"? Fui para a saída oeste, ela também veio caminhando devagar, cheguei à rua, soluçava, fingi que esperava um carro para vê-la ir na direção do ponto de ônibus. Andei mais, solucei mais, enxuguei os olhos, passou.
Hoje eu vi minha avó no metrô.

Aaaai!

Fiz alguma coisa errada no template e meu blog ficou cotó!

Agora deu certo, mas peço desculpas a quem comentou nos últimos posts - especialmente ao Marcelo, senão ele vai achar que eu tô implicando com ele. Eu já tava há um tempão querendo tirar os yaccs.

Comentem away, por favor. Eu vou receber email toda vez que aparecer um comentário, ueba!!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Eu pensando

A moça Magaly do Eu pensando lançou um concurso de trovas. Eu, neta do João Acelino que colecionava poemetos (incluindo o do vestido da prima) e da Totônia que não deixava ninguém fazer versinho de pé quebrado, lasquei três quatro improvisos:

(Ilusão)
Mirei naquele futuro
Destino pensei que fosse
De miragem era feito:
Acabou-se o que era doce.

(Olhos)
Os seus olhos me olhando
Muito atentos desta vez
Você me chama de boba
E eu te amando em inglês!

(Sonho)
Em sonho falei com Deus
E no sonho respondia:
"Não precisa ser poeta!
Faça só engenharia..."

(Primavera)
Venta muito no outono
e eu abrigo uma quimera:
que o globo revirasse
e já fosse primavera.

sábado, 8 de outubro de 2005

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

O muito que eu li, o pouco que eu sei...

Eu sempre fui bagunceira. Em parte por ter descoberto só aos dezoito anos que as toalhas não se penduram sozinhas nem a cama se arruma por vontade própria, em parte por ser preguiçosa, e em parte por ter uma tolerância alta para bagunça. Para quem pergunta, eu digo que sou uma dessas mentes criativas que não se incomodam com coisas mundanas.

O que eu sempre fui, sim, é curiosa. Então de uns tempos para cá comecei a ler livros de "auto-ajuda" sobre organização. Uma outra ponta do que eu gosto é meio-ambiente. Nesses últimos meses comecei a fechar o círculo de tudo o que eu penso, e as coisas começaram a fazer sentido.

O primeiro livro que eu li sobre organização foi - desculpe, Teca - The Zen of Organizing. A autora explica que organização tem a ver com simplicidade, tranqüilidade, ordem interna. Obviamente, ela advoga pela eliminação de todo o supérfluo, mas sem ser muito radical, já que ela como organizadora profissional trabalha para gente endinheirada. O segredo é descobrir o que para você é supérfluo. Uma pessoa pode achar que ter três raquetes de tênis é necessário, mas espera-se que tal pessoa jogue tênis. Para mim, raquetes de tênis são tão úteis como... (tenho certeza de que conheço uma expressão engraçada para colocar aqui, mas não me lembro agora).

Depois li Order from Chaos. É um livro mais sobre organização de escritórios e gerenciamento de tempo, mas também mudou o meu jeito de pensar sobre várias coisas. Por exemplo, aprendi que escrever tudo no mesmo lugar é mais útil do que ter milhões de post-its, e que guardar as coisas que são mais freqüentemente usadas à mão faz mais sentido do que estar perto do que é mais importante. Parece óbvio, mas pense em quanta gente guarda o diploma na gaveta da esquerda e o grampeador na sala do colega. Gerenciar meu tempo ainda não é o meu forte, mas não falemos disso agora...

A definição mais legal que encontrei de organização foi saber onde as coisas estão e saber onde o seu tempo vai. Por motivos mais do que práticos e autobiográficos, percebi a que ponto a desorganização é fruto de confusão mental e acúmulo de coisas acessórias e inúteis. Qual é o sentido de consumir, consumir, guardar, guardar? As minhas coisas começaram a "murchar" de um ano para cá, depois de intervenções várias principalmente por parte da minha roommate e da minha irmã. Eu também me avivei de certas coisas, já não guardo camisetas queridas e furadas se uma foto pode me lembrar de bons tempos. Eu diria que os últimos três ou quatro meses foram especialmente frutíferos no que diz respeito à diminuição do meu patrimônio material e conseqüente aumento do meu espaço físico e psicológico. Ter coisas também é preocupar-se com coisas. Mas por que todo mundo quer tanto????

Aí entra o meu lado abraçador de árvores e ripongo. Quanto tempo a Terra vai durar se todo mundo comprar o último plástico da China? A natureza, mamãe natureza, não pode ser vista como fonte infinita de recursos e receptáculo infinito de lixo. Vir para os States me abriu ainda mais os olhos. O que é lixo para alguns é a alegria dos estudantes pobres. É assustador, as pessoas nem sequer se dão ao trabalho de procurar um destino mais feliz às coisas, objetos, que outrora quiseram tanto.

Nesse sentido há um movimento de reversão e repulsa ao consumismo que eu estou esperando sinceramente que pegue. As indústrias, que agora têm cada vez mais que pagar pelo espaço que seu lixo ocupa, tentam encontrar outras firmas em que os seus resíduos sejam considerados matéria-prima. E as pessoas cada vez mais tentam dar mais tempo de vida aos objetos inanimados através de doações a entidades não-governamentais ou mesmo a pessoas. Assim nasceram sites como o freecycle, por exemplo.

Essas idéias todas já tinham ressoado em mim quando li Natural Capitalism e depois Waste and Want, em que uma historiadora explica como o way-of-life americano foi modificado para acomodar a obsolescência planejada e a banalização do descartável. Simplificar foi uma idéia que tirei dos livros de St. James, uma autora americana. E correndo atrás de mais informação sobre essa idéia aparentemente revolucionária li sobre um casal que vive com 7 mil dólares por ano, um absurdo de pouco por estas terras. Li o livro - com um título pra lá de cafona - desse casal, e eles enfatizam bastante a idéia de que se trabalha para conseguir o que os vizinhos têm (keep up with the Joneses), ou seja, nós estamos trocando energia vital por objetos de consumo.

Este fim-de-semana - depois de ter escrito este post e guardado no desktop do meu computador sem os links - vi um documentário do canal público daqui (PBS) chamado Affluenza. Influenza é o nome da gripe braba por aqui: resfriado é "cold", gripe é "flu", quando o bicho pega é influenza mesmo, como a gripe espanhola. Affluenza é um trocadilho com a doença da afluência, abundância. O casal que eu citei acima aparece no documentário, e várias outras pessoas interessantes que estão tentando mudar alguma coisa. E o filme, de 97, já soa datado, imagino que os números estejam até defasados, e que a quantidade de e-lixo ainda tenha piorado muito.

Eu diria que meu círculo de amigos é principalmente composto de pessoas alternativas. Isso explica por que eu tenho amigos que me confessam fazer o esforço consciente de ter apenas coisas que podem ser transportadas em um carro em caso de mudança (ao invés de um caminhão). Mas também estar nesse círculo faz com que eu me choque cada vez que vejo pessoas que acumulam uma vida de coisas inúteis antes de completar 30 anos. Amigos também, mas eu não posso nem dar um toque e dizer que "ei!", eles estão enterrando a cabeça em uma quantidade de bagagem que acho que nem meus pais têm. E por falar em pais, quantas caixas de coisas tontas eu tenho lá em casa? Livros, cadernos, quinquilharias ocupando armários?

Eu estou tentando ficar mais leve, sem dieta. Eu quero não gastar meu dinheiro ou minha energia de vida com coisas que serão esquecidas ou não serãou usadas. Eu quero ter liberdade de ir e vir sem carregar um mundo de bugigangas. Eu quero ter uma pegada pequena no planeta Terra e que ninguém me culpe de usar recursos naturais da pior maneira. Eu quero ser simples, eu quero ser zen. Ah, e organizada também.

Acho que estou no caminho certo, porque todas as coisas se encaixam, um bom record de Tetris. Agora só tenho que colocar a boca, o dinheiro e o coração no mesmo lugar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Lâmpada

Às vezes me vejo tão sensiva que até me emociono, e aí lembro: TPM na certa.

Viagem

A estrada me leva para fora do tempo. Dentro do carro, a linha intermitente das faixas passando no chão, zum. Estrada, placas, viadutos, pontes, avenidas, luzes, tudo meio sempre igual. As diferenças sutis nos anúncios e prédios à margem me dizem que esta estrada não é as outras, mas poderia ser. De todos os lugares, para todos os lugares, o caminho é um pouco fora do tempo, e é ali que me vejo no entardecer triste de outono.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Já passou

Depois de muito tempo entendi a fascinação. A agressividade toda que é demonstrada pra mim eu uso como espelho. O que melhor do que achar uma pessoa que ao mesmo tempo dá atenção e é espelho? Esse era o encanto, agora o espelho estilhaçou. Um masoquismo sem fim, agora no fim. Acabou-se o mistério. Tem muitos furos no raciocínio. Como é que auto-conhecimento é uma coisa ruim? E companhia? As palavras vão ecoar por muito tempo ainda. O bom é que eco não amplifica: some.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Não-umbigo

Para dar uma pausa nos meus posts mensais sobre sempre o mesmo assunto, um comentário, com link até.
Sabem que a Amazon deu um jeito de vender até filantropia? Você vai e faz uma doação para uma das 10 instituições pré-selecionadas por eles. A instituição que ganhar mais dinheiro vai receber uma "doação-casada" da Amazon, dólar por dólar.
E não tem limite mínimo de doação, o que quer dizer que estudantes quebrados e duros também podem usar o sistema. Não é mesma?

Eu também sou.


Atthis heloisa heloisa

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Agora ou nunca.

Bateu agora a sensação de que escrevo hoje ou nunca mais.
Tenho visto, sentido, viajado.
50 dias, muitos aniversários ruins e bons, remédios para o corpo e a alma, ar fresco coisas novas.
Não dá para tirar um retrato de mim agora, embora se tente. Tenho espelhos novos. Olho pela janela.
I repeat, attention please, do not fool yourselves: I'll keep being myself because I can't be anybody else.
I'll keep being myself not merely because I can't be anybody else or something, but because I WANT MORE. (Macca)
Não quero nada menos do que o maravilhoso. (Naty)
É verão e há o que sempre houve.
O calor me afeta as entranhas, o calor me altera, está fazendo muito calor.
Um tal de limpar armário...
Saudade de casa e uma nostalgia sem fim. Do futuro até, como já expliquei. 50 dias atrás.
Conversa séria no fim de domingo - a vida é minha, até que enfim.
Praças, discos, cookie cutters, cookie monster, chapéu, retratos, telhado, avião, C.I.A., stoned, urubu, burunga, saudade.
Praia, janela, espelho, feijão tropeiro, dando bote, amada, the condition is good.
Coração se ficar guardado enferruja.
Parece que os sentidos entraram no caldeirão da bruxa para misturar, mas não é não, é a madrugada que desce sobre a pessoa.
Escrevo mais quando as palavras saírem a dançar baile na próxima vez.
Até lá.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Mais Loris Machado



Para testar se as imagens funcionam no blogger...

segunda-feira, 6 de junho de 2005

achei uma tira de papel que diz:

Eu tenho um medo que vive em mim em forma de sorriso.
Eu tenho um sonho que não dorme.
Eu tenho a cadência mas não tenho ritmo.
Eu tenho nojo.
Eu tenho coceira de adivinhar o riso.
Eu tenho nostalgia de um futuro próximo.
Eu tenho fome que não se tempera.
Eu tenho frio de coisas passadas.

domingo, 15 de maio de 2005

Aparição

Entre um dia de cão e o balaio de gato ainda vejo a bruxa. Ela me conta o que vê lá de cima, voando em sua vassoura, e diz que as cidades mais parecem mapas - se vêem esquinas e cada curva é de novo escolha. Completamente alheia à quântica e que tais, diz que uma observação não colapsa a onda.
A bruxa acredita na verdade, no toque, na elegância, no carinho, na história, na saudade, na lágrima furtiva nascida do vinho. Ela também acha que a felicidade espreita a cada passo, embora o suspense do pé no ar mais pareça um chute.
Ela faz questão do contato, e seu corpo grita Escher, a mão dentro do peito agarrando o pulsar, outra levantada aos cabelos, cabeça-coração. Intui e lhe basta, embora custe tanto aos outros compreender que assim é a vida.
Do caldeirão saem coisas, muita fumaça e muita bolha, superfície fervilhando. A gata preta teve que ter as urgências estirpadas, mas passa bem obrigada. O sangue jorra à terra em esguichos fortes. O perfume não é comprado, nasce de dentro.
Peço à bruxa que fique. Ela vai pensar no meu caso.

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Sufoco

Sei que estou sumida, mas ando no sufoco. Só conto que das coisas ótimas e excitantes dos últimos tempos destacam-se o show, na quinta passada, do Ladysmith Black Mambazo, e a expectativa para o show de Zap Mama sábado que vem. Nem acredito que estou vendo os dois num tempo tão próximo. Tenho que escrever - urgente - pra Dona Malu Prates.

Tolerância

Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância. (José Saramago, mas copiado do Livro da Tribo, 19.1.2001/2002)

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Livromancia

Úrsula se preguntaba si no era preferible acostarse de una vez en la sepultura y que le echaran la tierra encima, y le preguntaba a Dios, sin miedo, si de verdad creía que la gente estaba hecha de hierro para soportar tantas penas y mortificaciones; y preguntando y preguntando iba atizando su propia ofuscación, y sentía unos irreprimibles deseos de soltarse a despotricar como un forastero, y de permitirse por fin un instante de rebeldía, el instante tantas veces anhelado y tantas veces aplazado de meterse la resignación por el fundamento, y cagarse de una vez en todo, y sacarse del corazón los infinitos montones de malas palabras que había tenido que atragantarse en todo un siglo de conformidad.
-¡Carajo!-gritó.
Amaranta, que empezaba a meter la ropa en el baúl, creyó que la había picado un alacrán.
-¡Dónde está!-preguntó alarmada.
-¿Qué?
-¡El animal!-aclaró Amaranta.
Úrsula se puso un dedo en el corazón.
-Aquí-dijo.


(GGM, Cien años de soledad)

sábado, 2 de abril de 2005

E se ela chora num quarto de hotel

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela mora no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

segunda-feira, 14 de março de 2005

2 x 3

Melhor coisa.

sexta-feira, 11 de março de 2005

Cada vez pior (Nene)

A loucura da vez, deixa eu ver se eu me explico...
Quando se convive o bastante, veja bem, não precisa ser muito, apenas o bastante com uma pessoa, decoram-se o gesto, a fala, as expressões faciais. Vai daí já me aconteceu bastante de eu me sentir como alguém que conheço, minha mãe ou minha irmã em geral, quando me flagro dizendo alguma coisa no mesmo tom de voz ou mesmo fazendo um olhar, um gesto, como aquele cruzar de pernas que o meu pai só faz quando assiste futebol. Todos eles são família, são próximos. De uns meses para cá eu às vezes entro na pele de alguém que não conheço tanto, entro mesmo, John Malkovich total, de pensar se de lá também se sentiram em mim, um pensamento ao menos despertado por essa troca astral que eu não sei de onde vem. Também quero saber se isso vai durar, experiência LSD em flashes para sempre?

Os psiquiatras de plantão manifestem-se, por favor.

quarta-feira, 9 de março de 2005

César.



Cesare Mansueto Giulio Lattes
11/7/1924-08/03/2005

"Você não acredita em Deus? Olha, olha aquela flor ali. Quem você acha que fez aquilo? (...) Ah, então você não é ateu: você é agnóstico. Não acredita, mas se reserva o direito de mudar de opinião."

"- César, eu tô nervosa.
- Por quê?
- Ah, com a formatura.
- Tá nervosa porque agora vai ter que trabalhar, né, safada?"

"Então quer dizer que eu sou o santo patrono de vocês?"

"Chamaram o pró-reitor, cadê o contra-reitor?"

"Até que a morte os separe é exigir pouco. Cristão não entende nada de amor, quem sabe de amor são os indianos, que quando um morre o outro se atira ao fogo junto com o corpo."