Maffalda mudou de casa! Redirecionando...

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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sejamos nós os nós.

Post requentado do Simplim, em homenagem ao Campus Party da semana passada. Se quiser comentar, por favor faça-o no post original, de 25/06/08.

Este é um texto sobre comunidade, ou melhor, o senso de comunidade. Ele deveria começar com um parágrafo sobre como só as pessoas do interior/de antigamente/os nossos avós sabiam o que era a boa vizinhança, e espinafrando as invenções modernas/a pressa/as grandes cidades porque reforçam a noção de individualidade e ninguém mais tem tempo para nada.

Mas isso é só parcialmente verdade. As redes sociais (no sentido sociológico-acadêmico-offline-enquanto-conceito) andam baqueadas, mas as pessoas ainda pertencem a grupos. Os amigos do futebol, da academia, do trabalho, os coleguinhas os filhos, os vizinhos de prédio, a galera do twitter e os ex-colegas de faculdade formam comunidades que, mesmo informais, têm laços mais ou menos firmes. E repare que em todas elas tem sempre os agitadores, os “nós”, aquela pessoa que conhece e apresenta todo mundo e vive inventando atividades para a galera.

Longe de mim querer inventar regras e estatutos para o que se chamava amizade. A idéia é só reconhecer as comunidades da quais você faz parte e dar aquele empurrãozinho para que as coisas funcionem melhor para todos. Porque a sociedade precisa de redes para sustentá-la, porque ter amigos é econômico e saudável, e porque a gente quer ser mais feliz.

E amigo é bom porque é uma coisa que vem em todo tipo de embalagem e com mil e uma utilidades. Dá para fazer um monte de coisas. Organizar um almoço na casa de alguém, sair para beber, ir morar com dois ou três amigos e rachar o aluguel, indicar amigos para trabalhos bacanas, ajudar a educar e mimar os filhos dos outros, arrumar um grupo de brincadeiras para os próprios filhos, discutir/questionar/conversar coisas mais profundas que a novela, falar/fofocar/criticar coisas tão rasas quanto a Caras, ouvir confidências, segurar a barra nas horas difíceis, fazer exercício, dividir despesas com alguma compra grande ou fazer companhia no supermercado, viajar, fundar um clube de trocas, fazer trabalho voluntário, assistir a filmes bons, dar carona, fazer um clube do livro informal onde todos indicam leituras a todos… as variações são muitas, dá para fazer muitas coisas mais com amigos. Mas algumas dessas sugestões eu deixo para outros blogs…

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Thank you falettinme be mice elf

Escrever não enche barriga, dizia eu para mim mesma com o estômago roncando. Mas aí lembrei do espaço vazio que era pra ser a minha cabeça, quer dizer, era pra eu anotar o que vai pela mente e fica parecendo o quê? - no mínimo que pensei pouco e vivi muito, só parte verdade.

Eu já não falo mais de bebês, não é, amor?, ela disse enquanto fazia sons irreprodutíveis para a criança em seu colo, e o marido teve vergonha de responder pra não perder a amiga.

Uso sempre algo vermelho no reveillon para ter quem esquente meus pés, e eu literal à vera escolhi vermelho nos sapatos. Agora qual a simpatia para todas as viradas de ano serem tão incríveis? 2009 promete.

Você é classe D, não tem carro nem tevê nem casa própria. E se for questão de escolha, posso ser classe média iluminada? Rica de espírito?

Lá é tão deserto que você vê um espelho e fica puto, tenho inventado lugares tranqüilos com uma freqüência absurda, e obviamente nesses lugares não chegou a famigerada reforma ortográfica, graçadeus.

Infinito foi esse minutinho que passou agora, e essas coisas não ficaram registradas porque são de foro íntimo, embora os telhados testemunhem gritos pelados toda hora. Gritos pelados é uma expressão do espanhol, veja bem, não será coincidência que o amor traga de volta pedaços reciclados para quererte, abollarte y comerte a besos...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Da transferência de dados

Leia Jane Austen e voce terá uma idéia de como era a paquera da Inglaterra de sua época. Olhares, visitas, bailes, cartas, livros de poesia lidos em voz alta, recados, piqueniques e alguns diálogos cheios de sentidos e intenções eram tudo com que jovens amantes contavam para determinar compatibilidade e caminhar rumo a um matrimônio que tinha que durar ‘até que a morte os separe’.

Houve variações incrementais nesse processo até alguns anos atrás. Pense na geração de nossos pais: rapaz e moça se conheciam e tratavam de procurar semelhanças: quem conhecemos em comum? de quais músicas/filmes/livros gostamos?

É claro que a internet veio aumentar a taxa de transferência de informações. As amizades em comum e apresentações virtuais se dão por redes de relacionamentos. Aí também se encontram as afinidades, assim como nos blogs, fotologs, last.fm e afins. E os rápidos diálogos dão lugar a longos papos no gtalk. Isso, claro, sem contar o Google, grande amigo das marias nerdeiras. Basta um hit com o nome do rapaz em um fórum de astronomia para Aldebaran aparecer no próximo diálogo.

No fim das contas, não há largura de banda no mundo que possa carregar olhares ou toques. Mas a satisfação de levar uma conversa inteligente com alguém que tem muito a ver com você - seja ao vivo numa mesa de bar, sozinhos ao pé do ouvido ou via instant messenger em pleno meio-dia da terça de trabalho - não tem preço!


Este post foi publicado originalmente em 9/4/08, no blog Maria Nerdeira. Se quiser comentar, dê um pulinho lá e leia os outros artigos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Щелкунчик

Falando de mudança, organização e vida simples com o Ivan LP, ele falou que sua esposa Leila ainda tem sapatilhas de balé guardadas. Eu respondi que eu também tenho, nem tendo sido uma bailarina tão dedicada quanto a Leila. É o cheiro, a textura e a lembrança. Balé é uma coisa apaixonante pelos detalhes que não se vêem na tv.

Fazia tempo que eu não via balé clássico ao vivo, mas matei um pouco da vontade no Quebra Nozes do Rio Sul. O shopping fez uma promoção dando dois ingressos para o balé, e como o Municipal está em obras as apresentações foram no próprio Rio Sul. Para ganhar ingressos, bastava gastar R$1200 em compras de Natal - coisa que meus hábitos de carmelita descalça não permitiriam - ou ser amiga de pessoas influentes. Aí vão minhas impressões...

O lugar: O estacionamento do Rio Sul vem sendo invadido há anos por mais e mais lojas (eu sou do tempo em que só tinha o quarto piso, e a Company era lá). Desta vez foi um auditório que foi montado ali, com direito a tapete vermelho para o público e tudo. Ficou confortável e acomodou todo mundo.

O público: Além da imprensa, havia muitos convidados e alguns tuiteiros: @roneyb, @claudiamello, @renata_lino, @pathaddad, @leocabral, @dj_spark. Dalal Achcar - lenda em pessoa, eu tenho uma amiga que trocou de colégio só pra ter mais tempo de fazer balé na academia dela - e Carla Camurati estavam lá também, vendo a primeira apresentação do próprio espetáculo. Todo mundo se comportou bem, menos a mãe que deixou a criança falar o espetáculo inteiro e aquela que atendeu o celular durante a apresentação. Ou serão a mesma pessoa? Já não me lembro, ainda bem.

O balé: A história é conhecida e linda. Eu tinha visto só uma vez, há muito tempo. Se não me engano, apresentaram a maior parte do segundo ato com pelo menos um número do primeiro ato intercalado, o da Colombina.

Os figurinos: Acho figurino de balé uma delícia, com todos aqueles exageros de brilhos e cores e frufrus. As fantasias eram corretíssimas, só fiquei triste porque a bailarina da dança árabe recebeu uma roupa dourada que se destacava pouco contra a pele dela, as acompanhantes tinham mais destaque em verde escuro.

O cenário: Valha-me D'us, é a única coisa que eu vou criticar com força. Poderiam ter achado uma solução simples que não fosse um painel com um monte de doces desenhados e escrito "Terra dos Doces" em letras fofinhas. Ficou parecendo festa infantil. A gente perdoa, a gente perdoa, por causa do próximo item.

Os bailarinos: Procurando bem, todo mundo tem pereba, só a bailarina é que não tem. A que fez a dança espanhola é minha preferida, mas o corpo de baile é do Municipal e se apresentou fazendo bonito. Eu me diverti vendo a força e a técnica, imaginando o treino que é preciso para saltar sem barulho, ser levantada no ar pelas costelas e sorrir o tempo todo. Bonito demais.

Adorei ter tido a oportunidade de ver esse espetáculo e, como bem lembrou a Patrícia Haddad, é louvável que um shopping premie com cultura ao invés de sortear carros e cacarecos - até porque essa promoção não dependia de sorteios.

Como eu me faço de fina mas no fundo sou jeca mesmo, depois da apresentação arruinei uma entrevista com a Carla Camurati bem atrás de mim porque comecei a bater palma durante uma conversa. Dizem que o olhar dela pra mim foi fulminante...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Esse código sereno

RIO DE JANEIRO - Faz mais de ano que não nos vemos, minha velha amiga e eu. Velha é carinho. Mas não precisa apagar a conotação do tempo. Curiosa coincidência. Pensava nela, uns fiapos de reminiscência, e ela me aparece assim sem mais nem menos. Um só instante e estamos à vontade. Está bem, muito bem, posso dizer, sincero. Como a lua, mulher tem fase. Você está na lua nova, digo, convicto. Crescente, ela corrige com bom humor.

Confortável, essa atmosfera que se estabelece entre nós. Podemos retomar agora a conversa de um ano atrás. Entro e saio, divertido, por temas e tópicos. Um monossílabo, um olhar - e estamos entendidos. Nenhuma explicação se impõe. Nosso código está alerta. No que dizemos há mais do que dizemos. Estou mais loquaz do que ela. Mas sem ênfase, ou explicação. Também dispenso as meias palavras. Nossas antigas novidades.

Essa imantação recíproca não se improvisa. Deita raízes longe. E é de lá, desse tempo não mencionado, sequer agora sugerido, é de lá que nos vem esse bem-estar. A serena certeza de que estamos bem como estamos. Essa familiaridade que se instala e quase nos dispensa de seguir a pauta de um encontro não programado. Conversamos de ouvido. De ouvido calamos. A tarde calma não traz nenhum presságio. Aqui estamos, sem pressa nem constrangimento.

No aroma do café, bem forte como prefere, há resquícios de uma velha evocação. Sim, como a lembrança está perto do remorso! É um verso de Baudelaire, não? Mas agora não há remorso nem lembrança. Apenas esta doce partilha. Enquanto falo, seus olhos olham para dentro e sorriem. Sei o que vê e de que sorri. Porque sabe que sei, nada me diz. Nem uma simples palavra de passe. A pique de uma pergunta, se levanta e se serve, displiscente, de mais café.

Caminha, vagarosa, até a janela. Não a conhecesse e diria que contempla, interessada, o que lá fora lhe chama a atenção. Mas não somos neste momento, ela e eu, consumidores de paisagem. Nem de espetáculo, banal ou insólito, pouco importa. A vida isola, penso comigo. A gente devia se ver mais, diz ela. Se prometer que vai reunir os amigos em sua casa, sabe que não vou acreditar. Não promete. Deixar a vida seguir assim, nesse embalo de onda que vai e que vem. E se esvai.

Otto Lara Resende. Folha de S. Paulo, 6/12/92.

(De um recorte amarelado de jornal.)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

All I want for Christmas is you

Em 2005 escrevi um manifesto sobre um Natal sem presentes que na verdade era uma desbragada lista de desejos. Numa demonstração de suprema cara-de-pau reedito e traduzo esse post, agora que meu aniversário está chegando e as pessoas já dizem "Feliz Natal" livremente.

Naquela época eu já estava tentando simplificar a minha vida, demonstrando preocupação com o meio ambiente, meu bolso e minha saúde mental. De lá pra cá, duas mudanças e uma viagem internacional depois, meu apelido em família é "carmelita descalça". Ainda tenho recaídas, e minhas noções de organização não são tão boas quanto eu queria, mas meu consumismo murchou e quase morreu. Cada vez que vejo um objeto de que gosto um pouco, penso em como carregá-lo em caso de mudança e minha empolgação vai embora.

Além disso, os feriados são uma fábrica de fazer loucos. As pessoas percebem isso mas continuam fazendo tudo igual: correria, compras, comida, stress, decorações, embrulhos, bebida, tudo em exagero. Pode ser que um dia eu tenha dinheiro o suficiente, fígado, paciência, espaço em casa (pra festa e pros cacarecos), mas por enquanto meu feriado é feito só de seres queridos.

Estou sendo meio radical, mas não estou sozinha. Existem o Dia Sem Compras (amanhã), o Natal Sem Compras, e o Natal de Cem Dólares. E neste mundo cheio de chás de panela, o Zander e a Vera se casaram (Mazel Tov!) e deram um exemplo lindo: pediram doações a instituições de caridade como presente.

Nada disso quer dizer que eu não gosto de presentes. Só acho que temos que ir com calma e achar um padrão sustentável. Adoooooro presente. Dito isso, minha lista de desejos...

Presente pra quem não quer presente

compráveis

Se você quer mesmo me dar uma coisa comprada, tente achar algo que seja diferente. Artesanato, ou algo consumível, como chocolate ou bebidas. Ou livros, que são sempre uma boa pedida, comprados à loja do seu bairro para fugir dos monstruosos shoppings.

usados

seus trens - Sim, eu quero suas tralhas. Se você não usa e acha que vou gostar, explique por que e adorarei ter algo para lembrar de você. Mas não se engane: se for um elefante branco, vai ser reciclado sem muito dó!
sebo/brechó - Em vez de comprar algo novo, compre uma coisa de sebo ou brechó. Vou gostar, desde que não tenha cheiro forte de poeira (eu sou alérgica).

tempo
ensine-me - Tem um monte de coisas que não sei fazer: cantar, cozinhar, dirigir... Pessoas talentosas podem doar seus esforços, embora em Minas digam que "burro velho não pega marcha".
sirva-me - Cozinhar pra mim, consertar meu computador, me dar uma carona, me ajudar a me organizar... Ofereça e juro que não serei muito mandona (só a pedidos). E pode ser o crédito, não precisa ser agora, durante as férias.
momentos bons
- Jantar, beber, andar na praia, conversar, tomar café, ler o jornal juntos, ir ao cinema ou ao teatro... Tá valendo! Outro dia li sobre uma turma de amigos que faz um brunch de domingo e cada um combina de levar um jornal, e as pessoas passam a manhã assim, jogando conversa fora e lendo notícias...

caseiros
Sou contra essas idéias de artesanato onde você transforma uma coisa que você não quer em outra de que não precisa. O resultado final em geral não é lá essas coisas e o tempo gasto adiciona ao stress. Pense em algo que seja fácil e você sabe que vai sair bom, como juntar as suas músicas preferidas numa playlist, ou um caderno de receitas tão simples que até eu posso fazer (ó o desafio!), ou impressões das fotos mais embaraçosas do ano que passou.

fotos - Imprima as mais legais, ponha legendas. Ou coloque num álbum online bem cuidado...
cds - Ou um pendrive com músicas bacanas.
performance - Cante, dance, sapateie, represente.
arte - Mas nada que quebre.

pontos de dharma/crédito universal
Seguindo o exemplo da Vera e do Zander... Se quiser fazer uma boa ação pensando em mim e me dar um abraço depois, ajude o pessoal lá de Santa Catarina, que a coisa está feia. O blog AllesBlau tem mais informações e este mapa tem alguns pontos de coleta de donativos. Quem quiser ajudar o pessoal aqui de perto pode contribuir com a Casa do Oleiro, cujo trabalho sério eu tenho acompanhado de perto.

Sou ou não sou muito fácil de agradar?




A música que deu título ao post, em Love Actually.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Virge Maria que foi isso maquinista?

Deu certo! Bloguei ao vivo do Descolagem #3! Explico mais sobre a experiência neste post a la Dulcetti - em perguntas e respostas.

De onde saiu essa idéia?

Alguns dias antes do Descolagem vi que estavam passando online, ao vivo, debates sobre Responsabilidade Social, num evento ligado à TV Cultura. Resolvi fazer anotações da entrevista de um dos convidados porque ele representava do respeitado Instituto Akatu e falou sobre consumo consciente. Apesar de algumas falhas na transmissão, transcrevi o conteúdo lá no Simplim.

Perguntei ao Beto Largman o que ele acharia de eu tentar fazer a mesma coisa no Descolagem, afinal, as palestras do "TED brasileiro" (tm Roney) são sempre interessantes. Beto respondeu ao meu email com um expletivo não-publicável de entusiasmo, mas eu pedi que ele não divulgasse porque não sabia se ia agüentar a pressão, expectativa e pedidos de autógrafos (ok, ok, olha o estilo do Bruno aí de novo).

Como você fez isso?

A mecânica interna da coisa não dá muito pra explicar, mas acho que o segredo é o mesmo de interpretação de uma língua pra outra: só memória, sem pensar muito. Se começar a refletir sobre o que está sendo dito, não consigo escrever.

Procurei um post que tinha lido sobre cobertura de conferências mas não achei antes do Descolagem. Eu me lembrava vagamente das dicas: fique perto de uma tomada, não se preocupe muito com o que pode ser corrigido depois, não fique lá na frente para não distrair os outros, às vezes a sala do telão é o melhor lugar para blogar, salve tudo, publique rápido.

Enquanto procurava o post, achei a ferramenta CoverItLive, que reconheci como sendo a mesma que usam nas transmissões da TV Cultura. Fui lá testar e pareceu muito boa, cheia de recursos interessantes. Esse ambiente permite preparar algumas coisas com antecedência, como textos e links pré-escritos, e até música e vídeo. Coloquei as biografias dos palestrantes lá, ao alcance de um click, e embedei a sessão aqui no Maffalda. Eles permitem também postar comentários mas eu ficaria louca se tivesse que prestar atenção nisso. O Spark gentilmente se ofereceu para ser o moderador ("Producer", no jargão do CoverItLive). Só faltava chegar lá no Descolagem e não amarelar.

E foi bom pra você?

Foi uma delícia! Apesar de não ser o que a maior parte das pessoas encararia como a melhor maneira de passar três horas e meia - digitando fervorosamente e sem dizer oi pra ninguém, para protestos de alguns -, eu achei bom ficar concentrada no que os palestrantes falavam.

A Patrícia Konder Lins e Silva foi a primeira a falar. Ela estava contente de não ter que convencer ninguém de que há um futuro chegando e que a escola vai ter que mudar. Para transcrever foi um pouco complicado, porque ela não completa as idéias dentro de uma mesma frase. Quem assiste entende tudo o que ela quer dizer, claro, mas não dá pra transcrever do jeito que eu estava fazendo. Além disso, ela estava usando um mind map e eu não podia olhar muito, por isso as anotações não fazem justiça à palestra.

O Paulo Blikstein fala calmamente e fez uma palestra cheia de fotos e com uma demonstração divertida do método de Monte Carlo. Impossível transmitir a performance envolvendo uma arma de paintball e o Mackeenzy como voluntário. Também é difícil reproduzir a emoção do Paulo ao dizer as coisas que aprendeu com sua aluna Jaíne - entre elas, que isso de mulher não gostar de tecnologia e exatas é balela.

Durante a apresentação do Lens Kraftone consegui descansar um pouco a cabeça, tomar água, e curtir o som. Achei bacana a moça do grupo, Marion, que estava vestida de gente comum em vez de assumir personagem.

Claro que tive vontade de bater no Largman porque não me avisou que o Luli Radfahrer fala na velocidade metralhadora giratória descontrolada. É um showman, cheio de idéias e acho que não captei nem 70%. De qualquer maneira, o Leanderson gravou tudo em vídeo. Foi uma palestra em banda larga, nada de conexão discada pra ele. Tanta informação que dá pra escolher um punhado de coisas pra concordar e outro tanto pra discordar e continuar achando tudo fantástico até a hora de pagar a conta do bar e ir embora.

Durante a transmissão do CoverItLive houve poucos visitantes, mas o Spark estava atento e moderou comentários, acrescentou links, além de me avisar por gtalk: "você não deve ter visto, entrou o protetor de tela com as fotos de família da Patrícia, por isso estão rindo."

No minuto em que o Beto terminou de agradecer a presença dos palestrantes e do público presente, respirei fundo e reparei que estava começando um resfriado chatinho. Nem vou pôr a culpa no trabalho porque eu não estava tão tensa assim, mas isso prejudicou um pouco o complemento perfeito do Descolagem, o chopp pós-evento. Mesmo assim consegui falar com os amigos.

E depois?

Depois saíram vários posts sobre o evento, entre eles...

Especial | Descolagem 3 - Uma nova escola para um novo aluno, por Frederick
A escola do século XXI - descolagem - NAVE, por Tati Martins
#Descolagem, por Roney
Desconferência, por Roney (uma crônica que adorei, por motivos óbvios!)
Descolagem #3, por Patricia Haddad (os links em recuo, abaixo, foram compliados por ela)
Fotos por Patricia Haddad
Outras fotos no Flickr
O capital quer uma nova escola!, por Carlos Nepomuceno
Resumo em Vídeo, por Tatatais
Vídeos da apresentação de Paulo Blikstein, por @lesilva: aqui e aqui
Vídeos da apresentação de Luli Radfahrer, por @lesilva: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui
[Update: A palestra toda do Luli, editada pelo Beto. Imperdível!]
Vídeos Lens Kraftone: aqui, aqui e aqui
#descolagem, por Maria Clara
Descolagem - Nave - A Escola do Século XXI, por Sergio Lima (veja os links no fim do post para as outras 5 partes)
Descolagem #3: Da educação aos nerds caindo matando no salão, por Pedro Giglio
Descolagem #3 debateu sobre o futuro da educação, por Beto Largman em seu blog n'O Globo
Descolagem #3 debateu sobre o futuro da educação, por Beto Largman, o mesmo post no site do Nave
Fotos do boteco onde fomos depois
[Update 1/12/08: Aprendizado descolado, por Leonardo Paiva]
[Update 1/12/08: Descolagem: a escola do século XXI, por Luli Radfahrer]

Algo mais a dizer?

Todo mundo já falou que o evento foi excelente, graças em grande parte ao espaço privilegiado da Nave e à dedicação (por vezes desespero, como naquela meia hora antes do evento) do Beto Largman.

Mas vocês já pararam pra pensar que quase todos os textos, fotos, vídeos e discussões acima foram gerados espontânea e voluntariamente? Os beneficiados somos nós, que desenvolvemos habilidades específicas e discutimos assuntos interessantíssimos, as pessoas que não estiveram lá e podem se inteirar das discussões, a comunidade de profissionais ligados à educação, e as futuras Jaínes e Carlos construidores de protótipos de vulcões, pessoas pensantes e não adestradas.

Você já é um voluntário. Orgulhe-se e vista a camisa!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Cobertura do Descolagem #3

Amanhã vou ao Descolagem e vou tentar blogar de lá, ao vivo. Quem viver, verá!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Amanhã é 23

Para quem gosta do Google Calendar e gosta de lembrar aniversários, um momento Lifehacker matrocinado pela tia Maffalda.

Eu tinha feito o meu calendário de aniversários copiando das agendas antigas. É meio chato, tem que acrescentar o nome, colocar no calendário certo (o meu é um só de aniversários, não misturo com o pessoal), mandar repetir todo ano. Coloco os eventos como "dia todo" para aparecerem em fonte inversa (branco na barra colorida, e não colorido no branco).

Tem um jeito também de importar os aniversários do Facebook, e foi isso que fiz hoje. Anotei os passos para poder ensinar. Meu google ainda é em inglês, não sei como são os nomes dos comandos em português, um monte de anglicismos!

- Crie um Google calendar com o nome "aniversários facebook" ou algo asim.
- Vá ao facebook e abra a app Birthday exporter. Seria bom se o orkut também tivesse uma app assim.
- Entrando na aplicação, salve o calendário como .ics.
- Vá ao Google calendar, no menu "other calendars", o link "add" embaixo à direita, e selecione "import calendar".
- Salve o arquivo .ics do birthday exporter.
- Escolha o calendário para o qual quer importar os aniversários. Atenção! Não faça lambança! Escolha "aniversários facebook".
- Se não tinha agenda de aniversários ainda, parabéns! Está criada! Todos os do facebook já vêm com as repetições apropriadas. E quando você vai na tela de edição do evento, ele diz desde "1976", dedurando a idade. Quem não pôs o ano de nascimento no perfil nasceu em 1900 por definição. Aproveite agora para acrescentar outras pessoas que não têm facebook (é, a mãe!), com atenção para editar o evento escolhendo o calendário certo e repetindo anualmente.
- Se já tem um calendário de aniversários, e quer importar alguns apenas (esta parte é chata), abra o compromisso, e troque o calendário na barra de rolagem de "aniversários facebook" para "aniversários - antigo".

Dicas finais:
- No calendário que você escolher, mude os settings para notificação 1 dia antes do evento. Assim, todos os novos eventos vão ter notificação e dá tempo para comprar um presente ou escrever para a pessoa.
- Se estiver animado de verdade, descubra como usar o canned responses do gmail labs para fazer um email padrão de aniversário para seus amigos. ("A velhice tá chegando, hein? A gente se vê.")
- Veja os aniversários numa lista contínua selecionando "Agenda". Aí também dá pra ver se tem algum evento que não está se repetindo ou não tem email de aviso.

Isso é o tipo de coisa que você só tem que montar uma vez, depois é só acrescentar um ou outro detalhe. Anota aí: Maffalda, 18/12.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Segunda-feira

Blogueira convidada: Maffalda, aos 17.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Diário da Crise

Segundo dia

Os deputados do governo olhavam um pouco espantados aquela demonstração. Estavam de pé como nós, em respeito ao Hino Nacional. No entanto, pareciam duvidar que existíamos, que tínhamos voz e éramos capazes daquela demonstração, em pleno tempo de emergência. Um país novo está nascendo como uma criança sai da barriga da mãe e eles estão escondidos atrás dos tanques, com medo das bandeiras vermelhas, das bandeiras amarelas, das mulheres coloridas que invadem a esplanada.

Por isso é preciso muita tranqüilidade. Estamos diante de um adversário acuado, com medo e perdendo o contato com o real. Pelo que notei nos corredores do Congresso, ainda não há uma definição exata sobre a vitória na votação da emenda que restaura a democracia no Brasil. Não acredito cegamente no Congresso porque sei que existem muitos deputados capazes de suicidar-se politicamente.

A alegria e a força que sinto em todos nós não morrerá com nenhum desfecho parlamentar. A grande novidade é que o país inteiro tomou consciência da necessidade de dirigir o próprio destino e a grande cartada dessa transição nós jogamos e jogaremos nas ruas. Aí se decidirá nosso destino.

(...)

O desejo que se expressa nas ruas é o do fim da ditadura militar. Podem encontrar vários nomes, várias fórmulas, mas nenhuma conseguirá silenciar o grito de diretas já. Fala-se que diante de uma derrota o povo vai ficar deprimido e voltar as costas para a política. Discordo. O nível de consciência que se ganhou em torno da superação da ditadura é irreversível. E além do mais, nunca foi tão fácil derrubá-la. É só um empurrão de 100 milhões de pessoas retirando da estrada do nosso futuro esse baixo astral que ameaçou nossos melhores dias mas não conseguiu roubar o humor e a esperança.
(Fernando Gabeira, Diário da Crise, 1984)

Estou depositando em você minha esperança. Não me decepcione, baby.

sábado, 11 de outubro de 2008

Hoje é o seu dia, que dia mais feliz!

Vejo minhas amigas da adolescência e é como se fosse um reflexo de mim guardado em algum gesto alheio que resistiu à passagem do tempo.

Vejo minhas amigas com filhos e é como se o meu gesto tivesse uma chance de caminhar devagar para o futuro.

(Festinha de aniversário da Laura.)

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Cérebro eletrônico

Em 2005 eu fiz um regime de internet. Ou greve, se preferirem. Mandei uma mansagem para os meus amigos assim:

Oi, queridos.

"No começo era Offline, e Offline era Bom." Aí veio a serpente com um teclado e estragou tudo.
O caso é que a tentação das mais feias que enfrento é a internet. Eu não sou viciada em internet não, sou viciada em gente. Em conversar com vocês. Portanto, estou pedindo ajuda com o "detox"...
Vou desplugar do msn - desinstalar mesmo, radical, porque eu me conheço. Então, se quiserem entrar em contato comigo, usem por favor o email (esta conta) ou o celular. Podem mandar email mesmo, nem que seja uma linha só dizendo oi.
Eu agradeço penhoradamente pela sua colaboração e por não me darem broncas por eu ter sumido.

Um beijo,
H.

Três anos depois, a vida é mais complicada. Então ficamos combinados:

Celular - bom. Se for mensagem de texto, melhor ainda.
Email - fantástico, tentarei responder direitinho.
Lista - continuarei participando.
GReader - continuarei processando os 200 feeds diários, para delícia de quem me acha spammer, e para me manter em dia com as notícias garimpadas pelo pessoal do clubinho do Jubal.

Msn e gtalk - ficarei desplugada ao máximo, usando o email também para mensagens curtas.
Twitter - o mais difícil! Vou parar de ler em tempo real, mas directs virão para o meu email. Posto quando tiver vontade.
Blip - também quando eu estiver a fim.
Orkut - já faz tempo que tento não responder scraps.
Facebook - também não vou responder wall.

Pela minha experiência nos dois ou três boicotes anteriores a este, minha qualidade de vida vai melhorar muitíssimo. Depois eu volto, um pouquinho menos neurótica...

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Reconvexo

Anteontem me ligou um amigo que sabe tudo de MPB. É pesquisador musical, jornalista, escritor, aquela história toda. "Gata, já viu algum show da Maria Bethânia?" Ele explicou que tinha um convite para eu ir a um show com ele no dia seguinte, aqui no MAM. Juntem-se a minha distração crônica e o choque de ser convidada, não ouvi mais nada além do lugar e do horário. "Não se atrase!".

Ontem ele ligou dizendo que antes do show ia ter um coquetel. Então tá. Apareci lá uns 15 minutos antes da hora marcada por ele. Estava friozinho e fui com meu figurino usual: jeans, camiseta (incrementei com uma camisa super longa por cima), botas, minha bolsa de todo dia. Enquanto esperava o Rodrigo vi que havia mulheres super arrumadas e homens de terno. "Geeeente, esse povo se arruma assim para um show?" Peguei o celular e coloquei um comentário no twitter alusivo ao meu trauma de ter um estilo totalmente largado de me vestir.

Ele chegou e entramos. Depois de uns minutos caiu a ficha: o show era da Bethania mesmo, mas a ocasião era o Prêmio Shell. Ela foi a ganhadora do prêmio, ao mesmo tempo homenageada e atração. Achando divertida a minha descoberta tardia, twittei.

E foi aí que eu entrei num frenesi de "eu vou transmitir esse negócio em tempo real". Mandei várias atualizações sobre a apresentação pela Renata Sorrah, o discurso de agradecimento, e o show em si, passando trechos das músicas que ela cantava e confundindo alguns twitteiros. Tive que guardar o celular quando o Rodrigo estava prestes a me bater, mas fiquei impressionada do barato que me deu estar divulgando uma coisa ao vivo pros amigos. Meu celular é tosco, então não consegui colocar tags direitinho, nem responder a todo mundo que falou comigo.

Será que tenho alma de jornalista? Será que foi culpa do prosecco? Será que sou nerd e anti-social? Provavelmente todas as anteriores. O artigo da Folha de São Paulo saiu com várias informações que eu tinha divulgado (roupa, discursos, esquecimento da letra de uma das canções). O prosecco ajudou no sentimento de ser toda-poderosa, provavelmente uma taça antes de pegar o celular eu teria pensado "quem se importa?". E sim, sou nerd e anti-social. Não saber como me comportar naquela situação me fez recorrer a um ambiente que me é mais familiar, ainda que na janelinha minúscula do meu LG grátis-com-assinatura-pós-pago.

Sobre o show mesmo: a mulher é tudo aquilo e mais um pouco. É uma feia bonita, com gestos encantadores - tem até reboladinha! - e vários aumentativos acompanhando a magnífica voz: narigão, cabelão, bocão. O figurino era de lascar, uma saia que parecia de tafetá sobre um terninho. Se isso fosse moda eu estaria contente, mas não funciona, nem no palco nem em lugar nenhum. E não era um show comum, obviamente, pois ela se propôs a fazer uma retrospectiva da carreira, por isso cantou mais de 30 canções enfileiradas, em certos momentos o show parecia um pout-pourri gigante. Ficou de fora Carcará, cujo vídeo saiu numa reportagem d'O Globo este domingo entre os melhores do Youtube.

Fomos ao camarim depois mas eu morro de vergonha de ser tiete, acho que deve ser uma chatice para o artista ficar lá cumprimentando todo mundo. O Rodrigo falou com ela (afinal, foi ele quem comandou a reedição da obra dela lançada em 2006), e não foi desta vez que ganhei um abracinho de uma cria da Dona Canô.

Para completar a série de acontecimentos, encadeamentos e coincidências, eu fui ao show da Bethânia no dia do aniversário do Lemuel, um de seus maiores fãs. Presente torto pro Lemu.

Pensando bem, não sou jornalista coisa nenhuma. O "lead" não está lá essas coisas, e o pé está quebrado. Oh, well... Ouçam Reconvexo e saibam perdoar.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Stratosphera

Em um espaço retangular qualquer de tamanho médio, o sentimento vago conhecido como querer-bem ocupa a parte do ambiente rente ao teto, como a fumaça em um jazz club. De outro modo, o amor definível - mas nem por isso prosaico - se espalha ao rés do chão até a altura da cintura, intoxicante como o gás carbônico nas minas. A camada intermediária se destina à respiração das pessoas desafortunadamente normais.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

The Buenos Aires Affair

Eu penso melhor em algumas ocasiões que outras, a saber:
 
1) Tomando banho de manhã ainda meio dormindo e sentindo que a água entra nos meus cabelos desgrenhados e escorre pela pele. Enquanto o cheiro do sabonete se encaixa em algum ano entre 94 e 2007 eu vou pensando idéias mirabolantes que em geral olham para as coisas que já passaram, não alcançando forma de nenhuma realização futura exceto a lista de pessoas para quem eu tenho que ligar e sempre esqueço e os próximos três compromissos noturnos.
 
2) Nos dez minutos antes de cair no sono, em que as idéias se embolam e se eu não for cuidadosa viram um pesadelo infinito de preocupações e pendências, mas em compensação podem virar uma ilusão de casulo e amornar o pé.
 
3) Olhando através da janela do ônibus e vendo pernas brancas pretas e amarelas do bonde do Drummond. Passam barracos quitandas e armazéns e eu penso em sensações telefonemas e listas de coisas a fazer.
 
4) Andando na rua quando o inverno quase acaba e sentindo que os pés saem do chão e o ar abre passagem e o ar já não é um gás rarefeito, é a essência mesmo das pessoas que me cercam e em quem eu penso, e me espantando com o espanto das pessoas que vêem meu sorriso.
 
(Lendo Gladys no Buenos Aires Affair. Enumérica...)

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Lactivismo

Eu não tenho, como vocês sabem, histórias de primeira-mão para contar sobre amamentação (porque da última vez em que estive envolvida nesse assunto era nova demais para guardar memórias). Só posso dizer que uma das coisas mais lindas e emocionantes que vi este ano foi uma amiga muito amada dando de mamar ao filhote de três meses, no meio da sala de estar da avó do marido dela, com um monte de gente em volta e um clima de festa de família italiana. Para mim foi como vê-la no cenário perfeito, cena de cinema. O marido comentava: "quando o baby acorda com fome e eu apareço, ele fica furioso, como se dissesse 'pô, você não tem leite!!!'".


Confesso que estou sem inspiração e tempo para escrever o post legal que o assunto merece. Portanto, proponho um google-jogo. Ache um link para cada uma das afirmações abaixo. O primeiro item já está preenchido. Ready, set, go!

- peito que faz leite dá inveja nos ovários alheios
- amamentar é ecologicamente correto
- é possível induzir lactação em mães adotivas
- não existe idade certa para desmame
- de acordo com as leis dietárias judaicas, leite humano é parve, ou seja, pode ser combinado com alimentos derivados de leite ou de carne
- o leite muda de gosto e composição conforme a idade da criança
- o gosto da comida da mãe passa para o leite
- tem um episódio de House que tem a ver com amamentação e anticorpos
- o esforço dos músculos faciais durante a amamentação é uma ginástica que prepara para a fala e mastigação perfeitas
- existem vídeos online mostrando como amamentar usando um baby-sling - o máximo da praticidade em bebês vestíveis!
- dá pra alimentar o bebê com fórmula e leite materno se precisar, mas o segredo é não usar mamadeira e sim uma colherzinha ou copinho para o bebê não viciar na sucção fácil do bico de látex
- dá pra ser legal com mulheres que amamentam mesmo sem ser uma delas
- pontos bônus para quem achar 3 músicas que falem de amamentação (eu só consigo lembrar, de cabeça, de uma)

Claro que o melhor ponto de partida para saber mais sobre amamentação e ler os textos de gente que tem muito mais para contar do que eu é o blog da Denise, nossa lactivista mais querida!

Postei um pouco no twitter mas não estava em casa durante o dia, não deu para fazer mais burburinho com a tag...

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Here, there and everywhere

Eu entrei no ônibus e ele disse que gostava da minha camiseta. Aí ele disse que tinha estudado na mesma universidade, e disse um monte de coisas sobre o que ele estudava, falava gesticulando bastante. Aí eu o vi outras vezes junto com um monte de outras gentes, e em pelo menos uma delas ele não disse nada e só ficou me olhando no fundo dos olhos com um olhar que demora. Logo depois tivemos nosso primeiro desentendido, mal-entendido, via blog e email. Acho que foi o único, dali em diante tudo foi dito sem legendas. E então teve aquele dia em que ele disse, debaixo de um sol escaldante, que estava se ajeitando para ir embora, juntando as tralhas, despedindo os amores, e voltando pra terra dele. Daí dissemos muitas, muitas coisas, em madrugadas infindáveis de msn e gtalk, a conversa sempre fluiu facilmente, sem segredo e meio sem pudor (o que agora, claro, confesso com um certo pudor). Fiquei feliz no dia em que ele disse que de sua terra ia para o sul, para um lugar onde o ar tinha a densidade certa para ele respirar. Foi mesmo assim que ele disse, o ar com a densidade certa, e eu fiquei pensando em coisas como peso e empuxo, e querendo que ele se equilibrasse. Na cidade da densidade certa ele disse que achou uma moça pecadora bem na medida também, o que eu achei bom, até vi na foto os cabelos vermelhos dela. Agora ele diz que tem uma possibilidade de emprego aqui, bem aqui ao lado. Eu fui lá ver onde ele pode ser que vá trabalhar e o enxerguei muito bem pelos corredores, num lugar de concreto como o primeiro de onde um dia saímos ao mesmo tempo. E fiquei pensando de novo em densidade, e querendo que a densidade deste Rio que me abraça seja certa para ele e também o acolha, e que ele se sinta bem melhor, e que me diga outra vez que está feliz, que os discos estão todos a 33 1/3 direitinho, no tom certo. E espero, de coração, que se acertem todos os ditos e não-ditos.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Aniversário

Este blog tem sete anos.
Sete é conto de mentiroso.
Não menti, mas não disse as verdades todas.
É que minhas verdades são um pouco tímidas.