Maffalda mudou de casa! Redirecionando...

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terça-feira, 24 de março de 2009

Diz o dito popular: "morre o homem, fica a fama".

Apesar de ter certeza absoluta de que vou morrer depois dos 95 anos, sempre leio por aí que é importante se preparar para essa hora. Além de fazer um testamento e diretivas de saúde em caso de incapacidade, é preciso também cuidar do destino da vida virtual.

Alguns dos meus amigos e conhecidos já têm falado nisso há tempos. O Inagaki escreveu sobre o que tem acontecido com os perfis e blogs de pessoas falecidas. O Markun jura que em alguns anos vão ser comuns velórios virtuais. Eu, particularmente, não consigo imaginar essa mistura de streaming com cerimônia fúnebre, mas se forem ao meu, por favor contem piadas! E a Simone já fez o inventário dela há muito tempo, e pediu uma página 404 rosa.

Eu só vi "de perto" três instâncias desse dilema. Uma vez googlei, de bobeira, um conhecido que já não via há tempos, e descobri que ele tinha falecido. Dei a notícia para o nosso amigo em comum - para quem ele tinha sido muito importante - e vi que os amigos dele fizeram uma página "memorial virtual". Achei feio. Deu a impressão que algumas pessoas estavam competindo para ver quem escrevia o depoimento mais emocionante.

Minha prima, que se declara analfabeta digital, perdeu o marido e continuou usando o endereço de email dele. O enteado reclamou, disse que toda vez que recebia uma mensagem dela achava que o pai tinha baixado no centro espírita. Ela finalmente mudou de email uns três anos depois.

E uma amiga nossa perdeu o marido tragicamente - eram recém casados e ele morreu durante o sono. Ela usou o orkut e msn dele para alertar os amigos e prometeu a si mesma e à família dele não mexer em nada do perfil dele. Ela também aceita os testimonials de amigos saudosos e escreveu no próprio blog sobre a dor imensa de vê-lo ir assim de repente.

Por essas e outras eu quis pensar em um jeito de deixar bem claro o que eu quero ou não depois que eu cantar pra subir.

Método:

  1. Achar um amigo ou parente que esteja disposto a fazer o trabalho pesado depois que eu me for. Tem que ser alguém familiar com a web, claro. No meu caso, achei alguém delicada, acima de qualquer suspeita e que não é da minha família: a Stella.
  2. Abrir uma conta de email que não uso com freqüência mas que ela conhece.
  3. Deixar em meios físicos um envelope com a senha do email, e instruções para que ele chegue às mãos da Stella.
  4. Mandar para esse email as senhas encriptadas através do Firefox Password Exporter. (Isso não é muito seguro, avalie os riscos no seu caso.) Repetir o envio periodicamente.
  5. Decidir se mando para esse email as senhas dos meus bancos. Pode ser que seja desnecessário, pois isso se resolve com a burocracia normal offline.
  6. Decidir se mando para esse email as diretivas de saúde - também posso deixar em meio físico.
As instruções:
  • Email: Guardar por um tempo, depois salvar tudo e mandar pro fundo da gaveta num CD.
  • Email do trabalho: Avisar pro povo da empresa que meu gato subiu no telhado! Para quem trabalha em escritório essa é fácil, para quem trabalha à distância ou faz freela, not so much.
  • Fotos: Se possível, fechar comentários apenas. Se não, salvar as fotos (Picasaweb, Fotolog, Flickr) e apagar as contas.
  • Twitter: Deixar quieto.
  • Blogs: Fechar comentários no Maffalda. No Blogger, isso se faz indo no Dashboard->Settings->Comments->Hide.
  • Youtube: fechar.
  • Orkut, Facebook: Nem pensar em deixar aberto! Salvar só os testimonials. Essas duas redes têm mecanismos para remoção de perfil pelos familiares: aqui e aqui.
Acho que as minhas maiores preocupações são não deixar muitas decisões a serem tomadas pelas pessoas queridas, e evitar que os amigos desperdicem nos testimonials e scraps da vida um sentimento que poderia ser melhor usado se direcionado à minha família.

Mas enquanto estou viva, cheia de graça, talvez ainda faça um monte de gente feliz...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Eu sou apenas uma mulher

O que é assunto de mulher, o que é assunto de homem?
O que é assunto de mãe, o que é assunto das outras?
Criança tem que falar com adulto?
Sexo, beleza, moda, culinária, maternidade, saúde, feminismo são futilidades ou coisa séria?
Dá pra pensar a vida grande a partir das coisas pequenas e cotidianas?
Quem-pariu-mateus-que-embale ou precisa-um-povoado-pra-criar-um-filho?
Só pode falar de fralda quem lava as sujinhas de xixi e cocô?
Ah, e podem-se compartilhar as escatologias e dores, ou só se falam de flores?
Existe vocação pra tia?
Aquele lance de ecofeminismo já saiu de moda?
Por que a gente tem tanto medo da energia feminina?
O que é que a gente tem pra esconder dos olhares masculinos? O pior? O melhor?
O espelho de Vênus tá servindo pra reflexão?

Alguém me traz um cosmopolitan que eu preciso pensar.

chocando ideias(Chocando idéias.)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Desafio Change the Web!

Traduzi rapidamente o original em inglês, avisem se encontrarem erros.
Notem que o prazo para envio de apps é curtíssimo! Vou tentar também agitar um encontro aqui no Rio para conversarmos.
Comentários, sugestões, já sabem: @maffalda.


Desafio Change the Web

Social Actions finalmente anunciou o Desafio Change the Web!

Observação: Você pode submeter suas aplicações no site da NetSquared aqui.

O desafio Change the Web da Social Actions quer desenvolver ferramentas inovadoras para que as pessoas encontrem e compartilhem oportunidades de ação em sites, blogs e redes sociais que visitamos diariamente.

O desafio é patrocinado por PayPal, Convio, TakePart, e Challenge Your World.

Social Actions (ganhadora do N2Y3) criou uma base de dados aberta com mais de 60.000 ações de mais de 40 sites - incluindo GlobalGiving, Change.org, DonorsChoose.org, Kiva.org, Nabuur, TakingITGlobal, Idealist.org, e VolunteerMatch. Agora eles querem ver essas ações por aí - em sites, blogs e redes sociais que milhões de pessoas visitam todos os dias. Da próxima vez que você estiver inspirado para fazer a diferença, as oportunidades de agir estarão a um clique de distância.

Para entender melhor o que queremos dizer, veja algumas das aplicações web que já usam a API da Social Actions:

  • 'Related Ways to Take Action' WordPress Plugin: Um plugin que pode ser adicionados a blogs do WordPress.org que identifica as palavras chave de cada post e mostra ações relacionadas.

  • Twitter Action Pack: Um índice de mais de 30 contas do Twitter que postam automaticamente ações importantes para você.

  • Firefox Ubiquity Command: Um mashup com o Firefox que permite marcar qualquer frase enquanto você navega e encontrar ações relacionadas.

Os organizadores do desafio querem que você invente uma nova ferramenta para que as pessoas encontrem e compartilhem ações. Qualquer dispositivo ligado à web pode ser um lugar para conectar a ações: seu iPhone, sites de notícias e blogs, Facebook e outras redes sociais, ou mesmo seu próprio website! O que você vai criar?

Já mencionamos os US$10.000 em prêmios?

Saiba mais:

Como funciona:

Social Actions está facilitando este desafio para encorajar inovação da distribuição de oportunidades para fazer a diferença através da internet e dispositivos móveis. Através de voto público na NetSquared Community, 20 finalistas serão escolhidos. Um painel de juízes selecionados pela Social Actions selecionará os três vencedores entre os 20 finalistas. O anúncio será na NTEN's Nonprofit Technology Conference, dia 28 de abril de 2009. Os ganhadores receberão prêmios em dinheiro de $5.000 (primeiro lugar), $3.000 (segundo lugar), e $2,000 (terceiro lugar).

Indivíduos e organizações estão convidados a compartilhar seus projetos com a comunidade através do formulário de submissão da NetSquared. Para concorrer aos prêmios, todas as submissões devem: 1) ser completamente funcionais quando do começo das votações, 2) incluir uma licençaopen-source, e 3) usar a Social Actions API.

Como submeter aplicações:

Quatro passos simples:

  • Registre-se e/ou Login no NetSquared.org

  • Clique em Username

  • Clique em "Submit a Project to the Project Gallery" sob My Project Idea

  • Selecione "ChangetheWeb" no menu Prize Tag que fica sob o menu Additional Cause Area Tags no formulário de submissão.

Regras e orientações:

Certifique-se de ler cuidadosamente as Rules and Guidelines.

Datas:

  • Seg, 23 de fevereiro de 2009 - Início do período de submissões. (16:00, horário de Brasília)

  • Sex, 3 de abril de 2009 - Término do período de submissões (20:00, horário de Brasília)

  • Seg, 6 de abril de 2009 - Início do voto popular. (16:00, horário de Brasília)

  • Sex, 10 de abril de 2009 - Término do voto popular. (20:00, horário de Brasília)

  • Seg, 13 de abril de 2009 - Anúncio dos Vinte Finalistas. (16:00, horário de Brasília)

  • Ter, 28 de abril de 2009 - Anúncio dos vencedores na NTEN's Nonprofit Technology Conference.

Galeria de Projetos:

Para ver os participantes, confira Project Gallery.

Frequently Asked Questions:

Leia as Frequently Asked Questions.

Critérios de julgamento:

Leia os Judging Criteria.

Junte-se:

Quer ajudar? Contacte:

Joe Solomon
Director of Social Actions' Change the Web Challenge
Email: joe at socialactions dot com
Tel: (415) 683 6185

Quer ajudar ou perguntar sobre o desafio aqui em Terra Brasilis? Contacte:

Maffalda
Enxerida Profissional
Email: maffalda at gmail dot com
Twitter: @maffalda

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Desafio Change the Web - lançamento oficial 23 de fevereiro

O lançamento do desafio Change the Web foi adiado por uma semana - a NetSquared prometeu começar o desafio segunda-feira, 23 de fevereiro. Você poderá apresentar projetos, oferecer feedback e promover mudança social na rede!

Nesta semana, o pessoal da Social Actions vai se movimentar para envolver todo mundo no desafio:

  • Criando um hub de idéias onde você pode submeter e votar sugestões para ajudar as pessoas a achar e compartilhar ações na web.
  • Publicando uma agenda de eventos e encontros e uma 'Change the Web Conversation Series' para discutir como usar plataformas específicas - Facebook, Twitter e iPhone - para o bem.
  • Espalhando notícias e novidades no My.SocialActions, no Grupo Change the Web no Facebook, e no Twitter.
  • Coordenando ações com bloggers, mídia, e patrocinadores.
  • Trabalhando com o Brattleboro Collective & Social Actions Developers para melhorar a API Social Actions e informações para desenvolvedores.


Eles também vão colocar o logo novo e o press release no SocialActions.com/changetheweb.

Estou pensando em fazer um encontro Change the Web aqui no Rio depois do carnaval. Se você tem interesse em participar ou quer promover um na sua cidade, por favor contacte-me via twitter (@maffalda) ou email (heloisa no gmailpontocom).

Para contactar o diretor do desafio diretamente, o email é Joe@SocialActions.com.

Links:

Siga o Change the Web no Twitter.
Inscreva-se no Facebook Group Change the Web.
Assine o RSS feed do Change the Web.
Junte-se ao Grupo de desenvolvedores Social Actions.

O site oficial do desafio (en).
Mais informações para desenvolvedores (en).
Perguntas e respostas (en).
Press release (en).
Perguntas e respostas (pt)
Prévia das regras (pt)
Press release (pt).

domingo, 15 de fevereiro de 2009

One, two, one two three four.

Algumas coisas:

  1. SEMPRE fico de mau humor no domingo, principalmente à noite (e é quando estou escrevendo isto).
  2. Não tenho televisão, por opção. Descobri que não consigo mais assistir tevê sem fazer outra coisa e não consigo prestar atenção. Gosto de filmes e poucas séries, que assisto no computador. Não sinto falta da tv no dia-a-dia.
  3. Vivo na internet. Acho que sou viciada.
  4. Dispenso carro, casa grande, ar condicionado, sacolinhas de plástico, compras freqüentes, produtos de marca e a maioria dos gadgets. Meu conceito de luxo é diferente, e no papel sou classe D.
  5. Vejo os meus amigos "da internet" com freqüência.
  6. Sou mais de chopp que de boate.
  7. Sou mais de passeio que de praia.
  8. Sou mais de visita do que de saída, mas visita no Rio não é tão comum.
  9. Gosto de livros como objetos, gosto de ler, mas não li tudo o que queria dizer que li.
  10. Gosto mais de adolescente que de criança.
  11. Não quero ter filhos.
  12. Não sei dizer não direito. Quero aprender.
  13. Gosto de barulho de chuva e flores comuns.
  14. Gosto de beber, mas não gosto de ficar bêbada.
  15. Não trabalho numa área diretamente ligada à minha formação e tento achar isso bom, apesar de ser difícil de explicar. E não acho que o meu trabalho atual é pra sempre, vou ser uma dessas pessoas que têm muita história pra contar no fim da carreira.
  16. Não aprendi direito a dirigir, andar de bicicleta ou nadar.
  17. Com fome fico a pessoa mais enjoada do mundo.
  18. Quando criança passava muito mal viajando de carro. Acho que é por isso que só passei mal de beber uma vez na vida, odeio a sensação.
  19. Detesto que chutem minha cadeira.
  20. Sou alérgica a camarão, poeira e picadas de insetos, além de 10 outras coisas. Se uma formiga me morder eu entro em choque anafilático (já aconteceu).
  21. Minha família é imensa, e as histórias povoam as conversas como se o tempo não existisse.
  22. Acho ótimo quando pensam que sou mais nova.
  23. Sou filha de primos, nascida de uma mãe que sofreu radioterapia quatro anos antes de me conceber e achava que era estéril. Minha prima me chama de bomba de cobalto.
  24. Meu sotaque é indefinível, mas todo mundo pensa que sou mineira.
  25. Acho que listas não me definem.
Mais setenta coisas.
Luxo. Luxo. Lixo.
Atores.
Canções. Canções.
Sobre listas.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Change the Web = Mude a Rede!

Estou divulgando o desafio Change the Web voluntariamente, depois de ter participado de uma teleconferência com a Romina Oliverio (@_romi). (Ultimamente todos os meus posts começam com "eu estava no twitter e...".) Já comecei a tarefa com os dois posts aí abaixo, traduzidos do material de imprensa e discussões deles. Agora explico sobre as regras (que ainda não saíram oficialmente) e por que os desenvolvedores brasileiros têm que participar do desafio.
Funcionando nos EUA e Canadá, a Social Actions é uma organização sem fins lucrativos cujo objetivo é facilitar a ação cidadã na rede. Eles fazem isso agregando as informações de mais de 40 outros sites que contêm oportunidades de voluntariado, doações, petições, etc. São mais de 60 mil maneiras de fazer a diferença. Agora, com o concurso Change the Web, eles querem incentivar a criação de web-apps baseadas na API deles.

Provavelmente os usuários finais das web-apps criadas serão dos EUA e Canadá, pois essas 60 mil oportunidades cadastradas são voltadas para o público de lá. Aqui no Brasil, quem está interessado em fazer trabalho voluntário ou fazer doações deve consultar os sites Voluntários, o Portal do Voluntário, Filantropia e Rio Voluntário, entre outros. Que eu saiba, não há uma busca unificada, nem é tão fácil doar online via paypal ou cartão de crédito, e é trabalhoso checar a idoneidade de organizações. Quem sabe no futuro teremos um site único para oportunidades desse tipo.

Mesmo que o Change the Web não seja voltado para usuários brasileiros, os desenvolvedores brasileiros podem e devem participar do concurso de aplicações web. Existe uma chance real de ter um ganhador brasileiro, na minha opinião. E mesmo que você não ganhe o concurso, ganhará experiência ("programar é grátis", já disse o sábio Marco Gomes) e terá oportunidade de trocar idéias com outros desenvolvedores. Além, é claro, de deixarem a tia Maffalda super orgulhosa. Fiz tanta propaganda para eles sobre vocês que se ninguém se inscrever vai ser um vexame.

O regulamento sai dia 16 de fevereiro, segunda-feira, mas o Joe Solomon (@engagejoe), diretor do desafio, já me adiantou algumas informações por alto:

Três vencedores serão escolhidos, e o anúncio será dia 28 de abril na NTC Conference.

As apps serão julgadas nos quesitos Inovação, Usabilidade e Potencial.

Inovação:
- A aplicação é uma nova solução para ajudar as pessoas a encontrar, compartilhar e/ou agir?
- O uso da Social Actions API é inovador?

Usabilidade e Experiência do Usuário:
- A aplicação é fácil de usar?
- O usuário é encorajado a usá-la muitas vezes (é "sticky")?
- Qual a relevância da aplicação? Ela apresenta ações de alto valor para o usuário?

Potencial de mudança:
- Quantos usuários ela alcança? Se é feita para uma plataforma específica (Facebook, Twitter, Drupal) ou site (NYtimes.com, etc), quão popular é a plataforma ou site?
- A aplicação tem uma estratégia de marketing viral ou viável?
- A aplicação permite crescimento, é "escalável"? Pode ser adaptada a outras plataformas?

O desafio está aberto a indivíduos, grupos, organizações comerciais ou não, organizações governamentais ou não, dentro ou fora dos EUA. Os indivíduos participantes devem ter mais de 18 anos e os grupos devem ter um representante também acima de 18 anos de idade para ser contactado pela organização. Essa pessoa deve aparecer primeiro no formulário de inscrição.

Vinte projetos serão pré-selecionados.

Todas as submissões devem ser aplicações web completamente funcionais para concorrerem. Apps que estejam embedded ou linkadas devem ter funcionalidade antes da votação pública em abril de 2009.

Todas as aplicações submetidas ao Desafio Change the Web têm que se utilizar, total ou parcialmente, da Social Actions API, uma base de dados de mais de 60 mil ações de mais de 40 fontes diferentes.

Todas as submissões devem usar uma licença open source para serem consideradas para o prêmio. Toda a propriedade, inclusive intelectual, permanecerá sob domínio do ganhador.

Quem quiser ir se preparando para o desafio pode entrar na comunidade http://groups.google.com/group/social-actions-dev/. Lá você encontra outros desenvolvedores e informações sobre a API.

Daqui em diante, estarei empenhada em encher a paciência da galera brasileira para participar e fazer a ponte entre os desenvolvedores interessados e os coordenadores do desafio, se precisar, além de ajudar a navegar as informações um pouco dispersas sobre o concurso. Publicarei o link para o regulamento mas não o traduzirei na íntegra. Boa sorte a todos!

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Competição online tenta mudar o mundo mudando a web.

O desafio Change the Web, da Social Actions, vai criar ferramentas para que cidadãos sejam ativistas onde quer que estejam na rede.

Desenvolvedores web que entrarem no desafio Change the Web ajudarão a melhorar o mundo e terão uma chance de ganhar US$10 mil em prêmios.

Social Actions, uma iniciativa sem fins lucrativos, está lançando o desafio em 15 de fevereiro de 2009 para facilitar a criação de ferramentas inovadoras para ajudar na divulgação e busca de oportunidades de ação em sites, blogs e redes sociais que as pessoas já visitam diariamente.

Os competidores construirão aplicativos web que se apóiam na base de dados aberta da Social Actions, contendo mais de 20 mil ações concretas que podem ser realizadas em váreas áreas - de mudanças climáticas e educação ao genocídio em Darfur.

"Conectando pessoas a ações de alto impacto sobre as quais elas não saberiam de outra forma, esperamos criar explosões de mudanças por todo o mundo", diz Peter Deitz, fundador da Social Actions.

A Social Actions já agrega oportunidades para fazer a diferença de 30 plataformas online, incluindo Volunteer Match, Kiva.org, DonorsChoose.org, GlobalGiving, Idealist.org, Nabuur, Care2, ThePoint e Change.org. Os criadores do concurso esperam que as ferramentas criadas pelo desafio Change the Web farão com que os usuários da web encontrem e participem mais facilmente de campanhas de captação de recursos, microempréstimos, petições, oportunidades de voluntariado e outros projetos de mudança social criados por organizações sem fins lucrativos e indivíduos.

"Imagine que você está lendo uma história sobre moradores de rua no nytimes.com e aparece um popup com a oportunidade de ser voluntário no abrigo mais próximo - isto é um exemplo do que queremos inspirar com o Change the Web. Fazer com que as ações estejam a um clique de distância pode ser crucial para fazer as pessoas realmente agirem.", diz Joe Solomon, diretor do desafio Change the Web.

O desafio Change the Web procura engajar desenvolvedores web, blogueiros e benfeitores online de todos os tipos para transformar a web. Mamie Webb, membro da comunidade Social Actions e co-CEO da TechSoup Global, já modificou uma extensão do Firefox para permitir que qualquer pessoa consulte a base de dados de oportunidades da Social Actions apenas marcando uma frase em qualquer página. Depois que todas as submissões forem recebidas, os membros da comunidade e um painel de juízes decidirão quem são os ganhadores.

Lucy Bemholz, do blog Philanthropy 2173, escreve que iniciativas como o Change the Web são essenciais em tempos de pouco dinheiro. "Colocar ações onde quer que as pessoas estejam. Deixar que elas estejam a um clique de distância de trabalhar, doar, assinar petições ou qualquer outro tipo de ação social de onde quer que estejam online, do celular, ou de qualquer lugar. Fazer da web uma web filantrópica. Toda essa facilidade pode ajudar as pessoas a doarem."

O desafio Change the Web se apóia no sucesso das competições online de inovação social tais como The American Express Card Members Competition, The Case Foundation's Giving Challenges, Ashoka's Open Sourcing Solutions, The Knight News Challenge, Advanta's Ideablob Competition e o NetSquared Mashup Challenge.

"Muito mais do que um desafio quebra-cabeças para os muitos magos digitais e ativistas que rondam a rede... é também a possibilidade de criar (e sustentar) uma grande onda de ação humanitária, que finalmente moldará como a web é usada por sua audiência, maximizando o impacto de campanhas de mudança social", diz a blogueira Romina Oliveiro no We-Magazine.net.

O desafio será lançado em 16 de fevereiro de 2009. Mais informações podem ser achadas em www.ChangetheWeb2009.com.

Change the Web - mais informações

Visão: Criar um concurso que incentive centenas de novas apps tal que as pessoas sejam facilmente levadas a oportunidades de agir, não importando em que parte da rede estejam.

O desafio: Desenvolvedores competem por US$10,000 em prêmios dados às melhores aplicações que recolham e distribuam dados na API da Social Actions.

Cronograma: Lançamento dia 16 de fevereiro. A competição acontecerá ao longo de 12 semanas e os vencedores serão anunciados dias 26-28 de abril.

Seleção dos ganhadores: Vinte finalistas serão selecionados por voto aberto (como no desafio N2Y3) e um painel de juízes decidirá os três ganhadores.

Que tipo de apps esperamos? Isto será completamente determinado pela inspiração dos desenvolvedores! É provável que haja apps para Facebook e iPhone, assim como twitter e wordpress.

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ALGUMAS PERGUNTAS

Vocês estão esperando ou encorajando algum tipo especial de apps, e como vocês vão lidar com apps que conectam a dados mais "fechados".

Nosso lado é aberto, claro, e o outro lado sempre pode ser fechado, mas qualquer um pode usar a API para qualquer tipo de aplicação e submeter ao concurso. Facebook, Ning, OpenSocial - tudo depende do que empolga a comunidade de desenvolvedores. Nós não ditamos que tipos de apps serão construídas, mas vamos continuar encorajando outras comunidades, como a do iPhone.

O desafio parece centrado na América do Norte até agora. Eu gostaria de ver mais juízes internacionais e outras coisas que fariam um concurso realmente internacional.

Definitivamente temos o objetivo de ser internacionais e poliglotas. Quanto à API, Wokai (China) está entrando, estamos encorajando RSS feed do GiveIndia, e estamos falando com Greater Good South Africa e outros. GlobalGiving, Kiva, e NABUUR já trazem ações internacionais para a API. Para o desafio, por favor dêem sugestões do que poderíamos fazer para estimular um concurso global. É importante atrair desenvolvedores ao redor do mundo.

O prêmio é para uma app que funcione ou para a melhor idéia, ou ambos?

Nós queremos apps completamente funcionais. Teremos um mini-concurso separado para votar em boas idéias, e encorajamos os desenvolvedores a buscarem aí boas idéias, mas o desafio mesmo é para recompensar apps completamente usáveis.

Nossos parceiros na plataforma adorariam que os aplicativos resultantes do desafio incluíssem os dados que são mais importantes para nós: o tempo e as ferramentas para atender às requisições de voluntários, por exemplo. Quais são seus planos para enriquecer os dados acessíveis na API Social Actions, para que os aplicativos que a usam sejam mais relevantes?

Nós temos que divulgar que o microformato Open Actions está disponível -- com 16 tipos de dados mais comuns a todas as plataformas -- e que as plataformas agora têm a opção de usar isto, ou o RSS. Também esperamos que o desafio incentive o uso do microformato Open Actions nas plataformas.

O widget "Related Ways to Take Action" se baseia exclusivamente na relevância de palavra-chave, ou ele usa os datapoints da API Social Actions?

Ele usa exclusivamente relevância de palavras-chave. Estamos trabalhando para incorporar a possibilidade de votar as ações positiva ou negativamente, compartilhá-las com amigos, e outras funcionalidades que possam ser colocadas em um feed de ações sociais de alto impacto.

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O site oficial do desafio (en).

Mais informações para desenvolvedores (en).

Estas questões e outras (en).

Press release (en).

Press release (pt).

Post na We-Magazine (en).

No twitter: @changetheweb, @socialactions.

Eu estou fazendo a divulgação em português, com ajuda graciosa de @dj_spark e @natzrosin. Se quiser se juntar a nós ou perguntar alguma coisa, é só procurar @maffalda!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Queria ir embora
antes que fosse o dia da colheita.
Ir embora para
que não culpem
a minha presença
pelos poucos cereais
deste ano.
Queria ir embora
a pé, mesmo, levando
um cachorrinho cotó
que me segue sempre -
não sei por quê.
É isso. Vou embora
amanhã. E se eu
sair ao meio-dia - e posso
sair ao meio-dia, ninguém
vai reclamar nem me
perguntar nada - ninguém
vai dar falta de mim.
O único que vai me castigar
é o sol. Não ligo!
A sombra eu deixo pro
cachorro cotó, se ele
não desistir de me seguir.
Quando se der a colheita,
estarei longe, mas alguém
há de se lembrar que
na semeadura eu estava
presente.
E dirão que as
sementes não vingaram.

17/12/94
(Tenho achado papéis velhos.)

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Sejamos nós os nós.

Post requentado do Simplim, em homenagem ao Campus Party da semana passada. Se quiser comentar, por favor faça-o no post original, de 25/06/08.

Este é um texto sobre comunidade, ou melhor, o senso de comunidade. Ele deveria começar com um parágrafo sobre como só as pessoas do interior/de antigamente/os nossos avós sabiam o que era a boa vizinhança, e espinafrando as invenções modernas/a pressa/as grandes cidades porque reforçam a noção de individualidade e ninguém mais tem tempo para nada.

Mas isso é só parcialmente verdade. As redes sociais (no sentido sociológico-acadêmico-offline-enquanto-conceito) andam baqueadas, mas as pessoas ainda pertencem a grupos. Os amigos do futebol, da academia, do trabalho, os coleguinhas os filhos, os vizinhos de prédio, a galera do twitter e os ex-colegas de faculdade formam comunidades que, mesmo informais, têm laços mais ou menos firmes. E repare que em todas elas tem sempre os agitadores, os “nós”, aquela pessoa que conhece e apresenta todo mundo e vive inventando atividades para a galera.

Longe de mim querer inventar regras e estatutos para o que se chamava amizade. A idéia é só reconhecer as comunidades da quais você faz parte e dar aquele empurrãozinho para que as coisas funcionem melhor para todos. Porque a sociedade precisa de redes para sustentá-la, porque ter amigos é econômico e saudável, e porque a gente quer ser mais feliz.

E amigo é bom porque é uma coisa que vem em todo tipo de embalagem e com mil e uma utilidades. Dá para fazer um monte de coisas. Organizar um almoço na casa de alguém, sair para beber, ir morar com dois ou três amigos e rachar o aluguel, indicar amigos para trabalhos bacanas, ajudar a educar e mimar os filhos dos outros, arrumar um grupo de brincadeiras para os próprios filhos, discutir/questionar/conversar coisas mais profundas que a novela, falar/fofocar/criticar coisas tão rasas quanto a Caras, ouvir confidências, segurar a barra nas horas difíceis, fazer exercício, dividir despesas com alguma compra grande ou fazer companhia no supermercado, viajar, fundar um clube de trocas, fazer trabalho voluntário, assistir a filmes bons, dar carona, fazer um clube do livro informal onde todos indicam leituras a todos… as variações são muitas, dá para fazer muitas coisas mais com amigos. Mas algumas dessas sugestões eu deixo para outros blogs…

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Thank you falettinme be mice elf

Escrever não enche barriga, dizia eu para mim mesma com o estômago roncando. Mas aí lembrei do espaço vazio que era pra ser a minha cabeça, quer dizer, era pra eu anotar o que vai pela mente e fica parecendo o quê? - no mínimo que pensei pouco e vivi muito, só parte verdade.

Eu já não falo mais de bebês, não é, amor?, ela disse enquanto fazia sons irreprodutíveis para a criança em seu colo, e o marido teve vergonha de responder pra não perder a amiga.

Uso sempre algo vermelho no reveillon para ter quem esquente meus pés, e eu literal à vera escolhi vermelho nos sapatos. Agora qual a simpatia para todas as viradas de ano serem tão incríveis? 2009 promete.

Você é classe D, não tem carro nem tevê nem casa própria. E se for questão de escolha, posso ser classe média iluminada? Rica de espírito?

Lá é tão deserto que você vê um espelho e fica puto, tenho inventado lugares tranqüilos com uma freqüência absurda, e obviamente nesses lugares não chegou a famigerada reforma ortográfica, graçadeus.

Infinito foi esse minutinho que passou agora, e essas coisas não ficaram registradas porque são de foro íntimo, embora os telhados testemunhem gritos pelados toda hora. Gritos pelados é uma expressão do espanhol, veja bem, não será coincidência que o amor traga de volta pedaços reciclados para quererte, abollarte y comerte a besos...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Da transferência de dados

Leia Jane Austen e voce terá uma idéia de como era a paquera da Inglaterra de sua época. Olhares, visitas, bailes, cartas, livros de poesia lidos em voz alta, recados, piqueniques e alguns diálogos cheios de sentidos e intenções eram tudo com que jovens amantes contavam para determinar compatibilidade e caminhar rumo a um matrimônio que tinha que durar ‘até que a morte os separe’.

Houve variações incrementais nesse processo até alguns anos atrás. Pense na geração de nossos pais: rapaz e moça se conheciam e tratavam de procurar semelhanças: quem conhecemos em comum? de quais músicas/filmes/livros gostamos?

É claro que a internet veio aumentar a taxa de transferência de informações. As amizades em comum e apresentações virtuais se dão por redes de relacionamentos. Aí também se encontram as afinidades, assim como nos blogs, fotologs, last.fm e afins. E os rápidos diálogos dão lugar a longos papos no gtalk. Isso, claro, sem contar o Google, grande amigo das marias nerdeiras. Basta um hit com o nome do rapaz em um fórum de astronomia para Aldebaran aparecer no próximo diálogo.

No fim das contas, não há largura de banda no mundo que possa carregar olhares ou toques. Mas a satisfação de levar uma conversa inteligente com alguém que tem muito a ver com você - seja ao vivo numa mesa de bar, sozinhos ao pé do ouvido ou via instant messenger em pleno meio-dia da terça de trabalho - não tem preço!


Este post foi publicado originalmente em 9/4/08, no blog Maria Nerdeira. Se quiser comentar, dê um pulinho lá e leia os outros artigos.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Щелкунчик

Falando de mudança, organização e vida simples com o Ivan LP, ele falou que sua esposa Leila ainda tem sapatilhas de balé guardadas. Eu respondi que eu também tenho, nem tendo sido uma bailarina tão dedicada quanto a Leila. É o cheiro, a textura e a lembrança. Balé é uma coisa apaixonante pelos detalhes que não se vêem na tv.

Fazia tempo que eu não via balé clássico ao vivo, mas matei um pouco da vontade no Quebra Nozes do Rio Sul. O shopping fez uma promoção dando dois ingressos para o balé, e como o Municipal está em obras as apresentações foram no próprio Rio Sul. Para ganhar ingressos, bastava gastar R$1200 em compras de Natal - coisa que meus hábitos de carmelita descalça não permitiriam - ou ser amiga de pessoas influentes. Aí vão minhas impressões...

O lugar: O estacionamento do Rio Sul vem sendo invadido há anos por mais e mais lojas (eu sou do tempo em que só tinha o quarto piso, e a Company era lá). Desta vez foi um auditório que foi montado ali, com direito a tapete vermelho para o público e tudo. Ficou confortável e acomodou todo mundo.

O público: Além da imprensa, havia muitos convidados e alguns tuiteiros: @roneyb, @claudiamello, @renata_lino, @pathaddad, @leocabral, @dj_spark. Dalal Achcar - lenda em pessoa, eu tenho uma amiga que trocou de colégio só pra ter mais tempo de fazer balé na academia dela - e Carla Camurati estavam lá também, vendo a primeira apresentação do próprio espetáculo. Todo mundo se comportou bem, menos a mãe que deixou a criança falar o espetáculo inteiro e aquela que atendeu o celular durante a apresentação. Ou serão a mesma pessoa? Já não me lembro, ainda bem.

O balé: A história é conhecida e linda. Eu tinha visto só uma vez, há muito tempo. Se não me engano, apresentaram a maior parte do segundo ato com pelo menos um número do primeiro ato intercalado, o da Colombina.

Os figurinos: Acho figurino de balé uma delícia, com todos aqueles exageros de brilhos e cores e frufrus. As fantasias eram corretíssimas, só fiquei triste porque a bailarina da dança árabe recebeu uma roupa dourada que se destacava pouco contra a pele dela, as acompanhantes tinham mais destaque em verde escuro.

O cenário: Valha-me D'us, é a única coisa que eu vou criticar com força. Poderiam ter achado uma solução simples que não fosse um painel com um monte de doces desenhados e escrito "Terra dos Doces" em letras fofinhas. Ficou parecendo festa infantil. A gente perdoa, a gente perdoa, por causa do próximo item.

Os bailarinos: Procurando bem, todo mundo tem pereba, só a bailarina é que não tem. A que fez a dança espanhola é minha preferida, mas o corpo de baile é do Municipal e se apresentou fazendo bonito. Eu me diverti vendo a força e a técnica, imaginando o treino que é preciso para saltar sem barulho, ser levantada no ar pelas costelas e sorrir o tempo todo. Bonito demais.

Adorei ter tido a oportunidade de ver esse espetáculo e, como bem lembrou a Patrícia Haddad, é louvável que um shopping premie com cultura ao invés de sortear carros e cacarecos - até porque essa promoção não dependia de sorteios.

Como eu me faço de fina mas no fundo sou jeca mesmo, depois da apresentação arruinei uma entrevista com a Carla Camurati bem atrás de mim porque comecei a bater palma durante uma conversa. Dizem que o olhar dela pra mim foi fulminante...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Esse código sereno

RIO DE JANEIRO - Faz mais de ano que não nos vemos, minha velha amiga e eu. Velha é carinho. Mas não precisa apagar a conotação do tempo. Curiosa coincidência. Pensava nela, uns fiapos de reminiscência, e ela me aparece assim sem mais nem menos. Um só instante e estamos à vontade. Está bem, muito bem, posso dizer, sincero. Como a lua, mulher tem fase. Você está na lua nova, digo, convicto. Crescente, ela corrige com bom humor.

Confortável, essa atmosfera que se estabelece entre nós. Podemos retomar agora a conversa de um ano atrás. Entro e saio, divertido, por temas e tópicos. Um monossílabo, um olhar - e estamos entendidos. Nenhuma explicação se impõe. Nosso código está alerta. No que dizemos há mais do que dizemos. Estou mais loquaz do que ela. Mas sem ênfase, ou explicação. Também dispenso as meias palavras. Nossas antigas novidades.

Essa imantação recíproca não se improvisa. Deita raízes longe. E é de lá, desse tempo não mencionado, sequer agora sugerido, é de lá que nos vem esse bem-estar. A serena certeza de que estamos bem como estamos. Essa familiaridade que se instala e quase nos dispensa de seguir a pauta de um encontro não programado. Conversamos de ouvido. De ouvido calamos. A tarde calma não traz nenhum presságio. Aqui estamos, sem pressa nem constrangimento.

No aroma do café, bem forte como prefere, há resquícios de uma velha evocação. Sim, como a lembrança está perto do remorso! É um verso de Baudelaire, não? Mas agora não há remorso nem lembrança. Apenas esta doce partilha. Enquanto falo, seus olhos olham para dentro e sorriem. Sei o que vê e de que sorri. Porque sabe que sei, nada me diz. Nem uma simples palavra de passe. A pique de uma pergunta, se levanta e se serve, displiscente, de mais café.

Caminha, vagarosa, até a janela. Não a conhecesse e diria que contempla, interessada, o que lá fora lhe chama a atenção. Mas não somos neste momento, ela e eu, consumidores de paisagem. Nem de espetáculo, banal ou insólito, pouco importa. A vida isola, penso comigo. A gente devia se ver mais, diz ela. Se prometer que vai reunir os amigos em sua casa, sabe que não vou acreditar. Não promete. Deixar a vida seguir assim, nesse embalo de onda que vai e que vem. E se esvai.

Otto Lara Resende. Folha de S. Paulo, 6/12/92.

(De um recorte amarelado de jornal.)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

All I want for Christmas is you

Em 2005 escrevi um manifesto sobre um Natal sem presentes que na verdade era uma desbragada lista de desejos. Numa demonstração de suprema cara-de-pau reedito e traduzo esse post, agora que meu aniversário está chegando e as pessoas já dizem "Feliz Natal" livremente.

Naquela época eu já estava tentando simplificar a minha vida, demonstrando preocupação com o meio ambiente, meu bolso e minha saúde mental. De lá pra cá, duas mudanças e uma viagem internacional depois, meu apelido em família é "carmelita descalça". Ainda tenho recaídas, e minhas noções de organização não são tão boas quanto eu queria, mas meu consumismo murchou e quase morreu. Cada vez que vejo um objeto de que gosto um pouco, penso em como carregá-lo em caso de mudança e minha empolgação vai embora.

Além disso, os feriados são uma fábrica de fazer loucos. As pessoas percebem isso mas continuam fazendo tudo igual: correria, compras, comida, stress, decorações, embrulhos, bebida, tudo em exagero. Pode ser que um dia eu tenha dinheiro o suficiente, fígado, paciência, espaço em casa (pra festa e pros cacarecos), mas por enquanto meu feriado é feito só de seres queridos.

Estou sendo meio radical, mas não estou sozinha. Existem o Dia Sem Compras (amanhã), o Natal Sem Compras, e o Natal de Cem Dólares. E neste mundo cheio de chás de panela, o Zander e a Vera se casaram (Mazel Tov!) e deram um exemplo lindo: pediram doações a instituições de caridade como presente.

Nada disso quer dizer que eu não gosto de presentes. Só acho que temos que ir com calma e achar um padrão sustentável. Adoooooro presente. Dito isso, minha lista de desejos...

Presente pra quem não quer presente

compráveis

Se você quer mesmo me dar uma coisa comprada, tente achar algo que seja diferente. Artesanato, ou algo consumível, como chocolate ou bebidas. Ou livros, que são sempre uma boa pedida, comprados à loja do seu bairro para fugir dos monstruosos shoppings.

usados

seus trens - Sim, eu quero suas tralhas. Se você não usa e acha que vou gostar, explique por que e adorarei ter algo para lembrar de você. Mas não se engane: se for um elefante branco, vai ser reciclado sem muito dó!
sebo/brechó - Em vez de comprar algo novo, compre uma coisa de sebo ou brechó. Vou gostar, desde que não tenha cheiro forte de poeira (eu sou alérgica).

tempo
ensine-me - Tem um monte de coisas que não sei fazer: cantar, cozinhar, dirigir... Pessoas talentosas podem doar seus esforços, embora em Minas digam que "burro velho não pega marcha".
sirva-me - Cozinhar pra mim, consertar meu computador, me dar uma carona, me ajudar a me organizar... Ofereça e juro que não serei muito mandona (só a pedidos). E pode ser o crédito, não precisa ser agora, durante as férias.
momentos bons
- Jantar, beber, andar na praia, conversar, tomar café, ler o jornal juntos, ir ao cinema ou ao teatro... Tá valendo! Outro dia li sobre uma turma de amigos que faz um brunch de domingo e cada um combina de levar um jornal, e as pessoas passam a manhã assim, jogando conversa fora e lendo notícias...

caseiros
Sou contra essas idéias de artesanato onde você transforma uma coisa que você não quer em outra de que não precisa. O resultado final em geral não é lá essas coisas e o tempo gasto adiciona ao stress. Pense em algo que seja fácil e você sabe que vai sair bom, como juntar as suas músicas preferidas numa playlist, ou um caderno de receitas tão simples que até eu posso fazer (ó o desafio!), ou impressões das fotos mais embaraçosas do ano que passou.

fotos - Imprima as mais legais, ponha legendas. Ou coloque num álbum online bem cuidado...
cds - Ou um pendrive com músicas bacanas.
performance - Cante, dance, sapateie, represente.
arte - Mas nada que quebre.

pontos de dharma/crédito universal
Seguindo o exemplo da Vera e do Zander... Se quiser fazer uma boa ação pensando em mim e me dar um abraço depois, ajude o pessoal lá de Santa Catarina, que a coisa está feia. O blog AllesBlau tem mais informações e este mapa tem alguns pontos de coleta de donativos. Quem quiser ajudar o pessoal aqui de perto pode contribuir com a Casa do Oleiro, cujo trabalho sério eu tenho acompanhado de perto.

Sou ou não sou muito fácil de agradar?




A música que deu título ao post, em Love Actually.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Virge Maria que foi isso maquinista?

Deu certo! Bloguei ao vivo do Descolagem #3! Explico mais sobre a experiência neste post a la Dulcetti - em perguntas e respostas.

De onde saiu essa idéia?

Alguns dias antes do Descolagem vi que estavam passando online, ao vivo, debates sobre Responsabilidade Social, num evento ligado à TV Cultura. Resolvi fazer anotações da entrevista de um dos convidados porque ele representava do respeitado Instituto Akatu e falou sobre consumo consciente. Apesar de algumas falhas na transmissão, transcrevi o conteúdo lá no Simplim.

Perguntei ao Beto Largman o que ele acharia de eu tentar fazer a mesma coisa no Descolagem, afinal, as palestras do "TED brasileiro" (tm Roney) são sempre interessantes. Beto respondeu ao meu email com um expletivo não-publicável de entusiasmo, mas eu pedi que ele não divulgasse porque não sabia se ia agüentar a pressão, expectativa e pedidos de autógrafos (ok, ok, olha o estilo do Bruno aí de novo).

Como você fez isso?

A mecânica interna da coisa não dá muito pra explicar, mas acho que o segredo é o mesmo de interpretação de uma língua pra outra: só memória, sem pensar muito. Se começar a refletir sobre o que está sendo dito, não consigo escrever.

Procurei um post que tinha lido sobre cobertura de conferências mas não achei antes do Descolagem. Eu me lembrava vagamente das dicas: fique perto de uma tomada, não se preocupe muito com o que pode ser corrigido depois, não fique lá na frente para não distrair os outros, às vezes a sala do telão é o melhor lugar para blogar, salve tudo, publique rápido.

Enquanto procurava o post, achei a ferramenta CoverItLive, que reconheci como sendo a mesma que usam nas transmissões da TV Cultura. Fui lá testar e pareceu muito boa, cheia de recursos interessantes. Esse ambiente permite preparar algumas coisas com antecedência, como textos e links pré-escritos, e até música e vídeo. Coloquei as biografias dos palestrantes lá, ao alcance de um click, e embedei a sessão aqui no Maffalda. Eles permitem também postar comentários mas eu ficaria louca se tivesse que prestar atenção nisso. O Spark gentilmente se ofereceu para ser o moderador ("Producer", no jargão do CoverItLive). Só faltava chegar lá no Descolagem e não amarelar.

E foi bom pra você?

Foi uma delícia! Apesar de não ser o que a maior parte das pessoas encararia como a melhor maneira de passar três horas e meia - digitando fervorosamente e sem dizer oi pra ninguém, para protestos de alguns -, eu achei bom ficar concentrada no que os palestrantes falavam.

A Patrícia Konder Lins e Silva foi a primeira a falar. Ela estava contente de não ter que convencer ninguém de que há um futuro chegando e que a escola vai ter que mudar. Para transcrever foi um pouco complicado, porque ela não completa as idéias dentro de uma mesma frase. Quem assiste entende tudo o que ela quer dizer, claro, mas não dá pra transcrever do jeito que eu estava fazendo. Além disso, ela estava usando um mind map e eu não podia olhar muito, por isso as anotações não fazem justiça à palestra.

O Paulo Blikstein fala calmamente e fez uma palestra cheia de fotos e com uma demonstração divertida do método de Monte Carlo. Impossível transmitir a performance envolvendo uma arma de paintball e o Mackeenzy como voluntário. Também é difícil reproduzir a emoção do Paulo ao dizer as coisas que aprendeu com sua aluna Jaíne - entre elas, que isso de mulher não gostar de tecnologia e exatas é balela.

Durante a apresentação do Lens Kraftone consegui descansar um pouco a cabeça, tomar água, e curtir o som. Achei bacana a moça do grupo, Marion, que estava vestida de gente comum em vez de assumir personagem.

Claro que tive vontade de bater no Largman porque não me avisou que o Luli Radfahrer fala na velocidade metralhadora giratória descontrolada. É um showman, cheio de idéias e acho que não captei nem 70%. De qualquer maneira, o Leanderson gravou tudo em vídeo. Foi uma palestra em banda larga, nada de conexão discada pra ele. Tanta informação que dá pra escolher um punhado de coisas pra concordar e outro tanto pra discordar e continuar achando tudo fantástico até a hora de pagar a conta do bar e ir embora.

Durante a transmissão do CoverItLive houve poucos visitantes, mas o Spark estava atento e moderou comentários, acrescentou links, além de me avisar por gtalk: "você não deve ter visto, entrou o protetor de tela com as fotos de família da Patrícia, por isso estão rindo."

No minuto em que o Beto terminou de agradecer a presença dos palestrantes e do público presente, respirei fundo e reparei que estava começando um resfriado chatinho. Nem vou pôr a culpa no trabalho porque eu não estava tão tensa assim, mas isso prejudicou um pouco o complemento perfeito do Descolagem, o chopp pós-evento. Mesmo assim consegui falar com os amigos.

E depois?

Depois saíram vários posts sobre o evento, entre eles...

Especial | Descolagem 3 - Uma nova escola para um novo aluno, por Frederick
A escola do século XXI - descolagem - NAVE, por Tati Martins
#Descolagem, por Roney
Desconferência, por Roney (uma crônica que adorei, por motivos óbvios!)
Descolagem #3, por Patricia Haddad (os links em recuo, abaixo, foram compliados por ela)
Fotos por Patricia Haddad
Outras fotos no Flickr
O capital quer uma nova escola!, por Carlos Nepomuceno
Resumo em Vídeo, por Tatatais
Vídeos da apresentação de Paulo Blikstein, por @lesilva: aqui e aqui
Vídeos da apresentação de Luli Radfahrer, por @lesilva: aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui
[Update: A palestra toda do Luli, editada pelo Beto. Imperdível!]
Vídeos Lens Kraftone: aqui, aqui e aqui
#descolagem, por Maria Clara
Descolagem - Nave - A Escola do Século XXI, por Sergio Lima (veja os links no fim do post para as outras 5 partes)
Descolagem #3: Da educação aos nerds caindo matando no salão, por Pedro Giglio
Descolagem #3 debateu sobre o futuro da educação, por Beto Largman em seu blog n'O Globo
Descolagem #3 debateu sobre o futuro da educação, por Beto Largman, o mesmo post no site do Nave
Fotos do boteco onde fomos depois
[Update 1/12/08: Aprendizado descolado, por Leonardo Paiva]
[Update 1/12/08: Descolagem: a escola do século XXI, por Luli Radfahrer]

Algo mais a dizer?

Todo mundo já falou que o evento foi excelente, graças em grande parte ao espaço privilegiado da Nave e à dedicação (por vezes desespero, como naquela meia hora antes do evento) do Beto Largman.

Mas vocês já pararam pra pensar que quase todos os textos, fotos, vídeos e discussões acima foram gerados espontânea e voluntariamente? Os beneficiados somos nós, que desenvolvemos habilidades específicas e discutimos assuntos interessantíssimos, as pessoas que não estiveram lá e podem se inteirar das discussões, a comunidade de profissionais ligados à educação, e as futuras Jaínes e Carlos construidores de protótipos de vulcões, pessoas pensantes e não adestradas.

Você já é um voluntário. Orgulhe-se e vista a camisa!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Cobertura do Descolagem #3

Amanhã vou ao Descolagem e vou tentar blogar de lá, ao vivo. Quem viver, verá!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Amanhã é 23

Para quem gosta do Google Calendar e gosta de lembrar aniversários, um momento Lifehacker matrocinado pela tia Maffalda.

Eu tinha feito o meu calendário de aniversários copiando das agendas antigas. É meio chato, tem que acrescentar o nome, colocar no calendário certo (o meu é um só de aniversários, não misturo com o pessoal), mandar repetir todo ano. Coloco os eventos como "dia todo" para aparecerem em fonte inversa (branco na barra colorida, e não colorido no branco).

Tem um jeito também de importar os aniversários do Facebook, e foi isso que fiz hoje. Anotei os passos para poder ensinar. Meu google ainda é em inglês, não sei como são os nomes dos comandos em português, um monte de anglicismos!

- Crie um Google calendar com o nome "aniversários facebook" ou algo asim.
- Vá ao facebook e abra a app Birthday exporter. Seria bom se o orkut também tivesse uma app assim.
- Entrando na aplicação, salve o calendário como .ics.
- Vá ao Google calendar, no menu "other calendars", o link "add" embaixo à direita, e selecione "import calendar".
- Salve o arquivo .ics do birthday exporter.
- Escolha o calendário para o qual quer importar os aniversários. Atenção! Não faça lambança! Escolha "aniversários facebook".
- Se não tinha agenda de aniversários ainda, parabéns! Está criada! Todos os do facebook já vêm com as repetições apropriadas. E quando você vai na tela de edição do evento, ele diz desde "1976", dedurando a idade. Quem não pôs o ano de nascimento no perfil nasceu em 1900 por definição. Aproveite agora para acrescentar outras pessoas que não têm facebook (é, a mãe!), com atenção para editar o evento escolhendo o calendário certo e repetindo anualmente.
- Se já tem um calendário de aniversários, e quer importar alguns apenas (esta parte é chata), abra o compromisso, e troque o calendário na barra de rolagem de "aniversários facebook" para "aniversários - antigo".

Dicas finais:
- No calendário que você escolher, mude os settings para notificação 1 dia antes do evento. Assim, todos os novos eventos vão ter notificação e dá tempo para comprar um presente ou escrever para a pessoa.
- Se estiver animado de verdade, descubra como usar o canned responses do gmail labs para fazer um email padrão de aniversário para seus amigos. ("A velhice tá chegando, hein? A gente se vê.")
- Veja os aniversários numa lista contínua selecionando "Agenda". Aí também dá pra ver se tem algum evento que não está se repetindo ou não tem email de aviso.

Isso é o tipo de coisa que você só tem que montar uma vez, depois é só acrescentar um ou outro detalhe. Anota aí: Maffalda, 18/12.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Segunda-feira

Blogueira convidada: Maffalda, aos 17.


quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Diário da Crise

Segundo dia

Os deputados do governo olhavam um pouco espantados aquela demonstração. Estavam de pé como nós, em respeito ao Hino Nacional. No entanto, pareciam duvidar que existíamos, que tínhamos voz e éramos capazes daquela demonstração, em pleno tempo de emergência. Um país novo está nascendo como uma criança sai da barriga da mãe e eles estão escondidos atrás dos tanques, com medo das bandeiras vermelhas, das bandeiras amarelas, das mulheres coloridas que invadem a esplanada.

Por isso é preciso muita tranqüilidade. Estamos diante de um adversário acuado, com medo e perdendo o contato com o real. Pelo que notei nos corredores do Congresso, ainda não há uma definição exata sobre a vitória na votação da emenda que restaura a democracia no Brasil. Não acredito cegamente no Congresso porque sei que existem muitos deputados capazes de suicidar-se politicamente.

A alegria e a força que sinto em todos nós não morrerá com nenhum desfecho parlamentar. A grande novidade é que o país inteiro tomou consciência da necessidade de dirigir o próprio destino e a grande cartada dessa transição nós jogamos e jogaremos nas ruas. Aí se decidirá nosso destino.

(...)

O desejo que se expressa nas ruas é o do fim da ditadura militar. Podem encontrar vários nomes, várias fórmulas, mas nenhuma conseguirá silenciar o grito de diretas já. Fala-se que diante de uma derrota o povo vai ficar deprimido e voltar as costas para a política. Discordo. O nível de consciência que se ganhou em torno da superação da ditadura é irreversível. E além do mais, nunca foi tão fácil derrubá-la. É só um empurrão de 100 milhões de pessoas retirando da estrada do nosso futuro esse baixo astral que ameaçou nossos melhores dias mas não conseguiu roubar o humor e a esperança.
(Fernando Gabeira, Diário da Crise, 1984)

Estou depositando em você minha esperança. Não me decepcione, baby.