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quinta-feira, 9 de setembro de 2004

Untitled

Eu li Pessoa e pessoa me traduziu
eu li Whitman e Whitman sou eu,
Cecília sofreu de amores,
Manuel Bandeira e sua lagarta listrada.
Mas a dor é minha, só minha
e eu fico só bem quando ouço música
os poemas são métrica para o meu sofrimento
embora eu ria, eu ria,
os amigos estão lá
apoio e cruz,
e eu não sei mais viver sem ser esta confusão
que alaga e é deserto ao mesmo tempo.
Cercam-me objetos, palavras, televisões, notícias,
palavras cruzadas, homens, religião e roupas,
e em nada eu vejo o fim, em nada me vejo melhor.
O futuro que a Deus pertencia até ontem
chega e não me diz a que veio.
A cama, eterna companheira, para mim que não toco violão,
não me dá mais que dores e espasmos.
Correr, subir, pular, trepar, resposta nada.
As risadas no quarto ao lado me deixam feliz
por quem as dá, não por mim,
que eu não estou mais em situação de me alegrar
pelos outros.
Aliás, se outros há não os conheço,
não quero nada com eles.
A filosofia nunca foi minha amiga, agora a química,
sabe a química? me abandonou também.
Vejo homens, vejo mulheres, vejo gente e ninguém me toca
fisicamente ou otherwise.
Estou cansada, cansada de tudo,
já choro, choro por nada,
e escrever, palavras em vão,
escrever era meu último recurso.
Acaba aqui.

Um comentário:

Dudu disse...

"era" ? :(((
Melhoras, maidiar. Tem muita gente torcendo e rezando por você, aqui, aí, em todo o lugar (parafraseando Beatles). Não se esqueça que o "ombro" está available 24/7