Maffalda mudou de casa! Redirecionando...

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terça-feira, 18 de outubro de 2005

Não me condenem por obscura

Mas...

O deus mudança me mostrou o prazo de validade das coisas. Querer por capricho é mau. Interromper o que se gosta por auto-disciplina nunca foi o meu forte.

Dá cá uma garrafa e promete, por favor, que aberta soltará todos os cheiros, diálogos, afagos, barulhos e a cor. Só por um instante. Ben Harper na vitrola, please?

Logun-edé sumiu pros lados da África, bem escondido. Achei agora um canto de Oxum, flagras fáceis da origem do mito.

O meu blog, estas palavras loucas que ninguém vai entender, às vezes me lembra - só eu com a chave das palavras - daquela faísca no escuro.

A ver se os fantasmas voltam para pelo menos dar notícias. A esperança da bruxa é que, na véspera do seu dia, o canto no meio da madrugada possa evocar o fantasma estranhamente querido.

terça-feira, 11 de outubro de 2005

Oi, Vó.

Entrei no metrô cansada. Linha laranja, linha vermelha, linha verde. Na linha verde olho, olho de novo. Vó Totônia. Os mesmos cabelos, castanho-esbranquiçados, descendo pelas costas num coque que desmanchou. Os mesmos olhos, o mesmo jeito de olhar que a gente vê nas fotos. A saia reta até a canela, o casaquinho por cima da blusa, meias e chinelos de couro. Ainda bem, se eu visse havaianas amarelas ia morrer do coração. Eu já estava ali, com o olhinho raso, tentando não encarar, ela puxa os óculos de leitura e começa a ler jornal. Tinha que ser jornal? Tinha. Tinha que ser o Washington Post com uma foto sem mais tamanho do Einstein na contracapa que estava virada pra mim. Comecei a chorar que nem uma doida. Chegou minha estação, desci, ela desceu, estava andando logo atrás de mim, apertei um pouco o passo, chorando, olhando para trás de vez em quando, vencendo a vontade de falar com ela, falar o quê, meu Deus? "você parece a minha avó!"? Fui para a saída oeste, ela também veio caminhando devagar, cheguei à rua, soluçava, fingi que esperava um carro para vê-la ir na direção do ponto de ônibus. Andei mais, solucei mais, enxuguei os olhos, passou.
Hoje eu vi minha avó no metrô.

Aaaai!

Fiz alguma coisa errada no template e meu blog ficou cotó!

Agora deu certo, mas peço desculpas a quem comentou nos últimos posts - especialmente ao Marcelo, senão ele vai achar que eu tô implicando com ele. Eu já tava há um tempão querendo tirar os yaccs.

Comentem away, por favor. Eu vou receber email toda vez que aparecer um comentário, ueba!!!

segunda-feira, 10 de outubro de 2005

Eu pensando

A moça Magaly do Eu pensando lançou um concurso de trovas. Eu, neta do João Acelino que colecionava poemetos (incluindo o do vestido da prima) e da Totônia que não deixava ninguém fazer versinho de pé quebrado, lasquei três quatro improvisos:

(Ilusão)
Mirei naquele futuro
Destino pensei que fosse
De miragem era feito:
Acabou-se o que era doce.

(Olhos)
Os seus olhos me olhando
Muito atentos desta vez
Você me chama de boba
E eu te amando em inglês!

(Sonho)
Em sonho falei com Deus
E no sonho respondia:
"Não precisa ser poeta!
Faça só engenharia..."

(Primavera)
Venta muito no outono
e eu abrigo uma quimera:
que o globo revirasse
e já fosse primavera.

sábado, 8 de outubro de 2005

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

O muito que eu li, o pouco que eu sei...

Eu sempre fui bagunceira. Em parte por ter descoberto só aos dezoito anos que as toalhas não se penduram sozinhas nem a cama se arruma por vontade própria, em parte por ser preguiçosa, e em parte por ter uma tolerância alta para bagunça. Para quem pergunta, eu digo que sou uma dessas mentes criativas que não se incomodam com coisas mundanas.

O que eu sempre fui, sim, é curiosa. Então de uns tempos para cá comecei a ler livros de "auto-ajuda" sobre organização. Uma outra ponta do que eu gosto é meio-ambiente. Nesses últimos meses comecei a fechar o círculo de tudo o que eu penso, e as coisas começaram a fazer sentido.

O primeiro livro que eu li sobre organização foi - desculpe, Teca - The Zen of Organizing. A autora explica que organização tem a ver com simplicidade, tranqüilidade, ordem interna. Obviamente, ela advoga pela eliminação de todo o supérfluo, mas sem ser muito radical, já que ela como organizadora profissional trabalha para gente endinheirada. O segredo é descobrir o que para você é supérfluo. Uma pessoa pode achar que ter três raquetes de tênis é necessário, mas espera-se que tal pessoa jogue tênis. Para mim, raquetes de tênis são tão úteis como... (tenho certeza de que conheço uma expressão engraçada para colocar aqui, mas não me lembro agora).

Depois li Order from Chaos. É um livro mais sobre organização de escritórios e gerenciamento de tempo, mas também mudou o meu jeito de pensar sobre várias coisas. Por exemplo, aprendi que escrever tudo no mesmo lugar é mais útil do que ter milhões de post-its, e que guardar as coisas que são mais freqüentemente usadas à mão faz mais sentido do que estar perto do que é mais importante. Parece óbvio, mas pense em quanta gente guarda o diploma na gaveta da esquerda e o grampeador na sala do colega. Gerenciar meu tempo ainda não é o meu forte, mas não falemos disso agora...

A definição mais legal que encontrei de organização foi saber onde as coisas estão e saber onde o seu tempo vai. Por motivos mais do que práticos e autobiográficos, percebi a que ponto a desorganização é fruto de confusão mental e acúmulo de coisas acessórias e inúteis. Qual é o sentido de consumir, consumir, guardar, guardar? As minhas coisas começaram a "murchar" de um ano para cá, depois de intervenções várias principalmente por parte da minha roommate e da minha irmã. Eu também me avivei de certas coisas, já não guardo camisetas queridas e furadas se uma foto pode me lembrar de bons tempos. Eu diria que os últimos três ou quatro meses foram especialmente frutíferos no que diz respeito à diminuição do meu patrimônio material e conseqüente aumento do meu espaço físico e psicológico. Ter coisas também é preocupar-se com coisas. Mas por que todo mundo quer tanto????

Aí entra o meu lado abraçador de árvores e ripongo. Quanto tempo a Terra vai durar se todo mundo comprar o último plástico da China? A natureza, mamãe natureza, não pode ser vista como fonte infinita de recursos e receptáculo infinito de lixo. Vir para os States me abriu ainda mais os olhos. O que é lixo para alguns é a alegria dos estudantes pobres. É assustador, as pessoas nem sequer se dão ao trabalho de procurar um destino mais feliz às coisas, objetos, que outrora quiseram tanto.

Nesse sentido há um movimento de reversão e repulsa ao consumismo que eu estou esperando sinceramente que pegue. As indústrias, que agora têm cada vez mais que pagar pelo espaço que seu lixo ocupa, tentam encontrar outras firmas em que os seus resíduos sejam considerados matéria-prima. E as pessoas cada vez mais tentam dar mais tempo de vida aos objetos inanimados através de doações a entidades não-governamentais ou mesmo a pessoas. Assim nasceram sites como o freecycle, por exemplo.

Essas idéias todas já tinham ressoado em mim quando li Natural Capitalism e depois Waste and Want, em que uma historiadora explica como o way-of-life americano foi modificado para acomodar a obsolescência planejada e a banalização do descartável. Simplificar foi uma idéia que tirei dos livros de St. James, uma autora americana. E correndo atrás de mais informação sobre essa idéia aparentemente revolucionária li sobre um casal que vive com 7 mil dólares por ano, um absurdo de pouco por estas terras. Li o livro - com um título pra lá de cafona - desse casal, e eles enfatizam bastante a idéia de que se trabalha para conseguir o que os vizinhos têm (keep up with the Joneses), ou seja, nós estamos trocando energia vital por objetos de consumo.

Este fim-de-semana - depois de ter escrito este post e guardado no desktop do meu computador sem os links - vi um documentário do canal público daqui (PBS) chamado Affluenza. Influenza é o nome da gripe braba por aqui: resfriado é "cold", gripe é "flu", quando o bicho pega é influenza mesmo, como a gripe espanhola. Affluenza é um trocadilho com a doença da afluência, abundância. O casal que eu citei acima aparece no documentário, e várias outras pessoas interessantes que estão tentando mudar alguma coisa. E o filme, de 97, já soa datado, imagino que os números estejam até defasados, e que a quantidade de e-lixo ainda tenha piorado muito.

Eu diria que meu círculo de amigos é principalmente composto de pessoas alternativas. Isso explica por que eu tenho amigos que me confessam fazer o esforço consciente de ter apenas coisas que podem ser transportadas em um carro em caso de mudança (ao invés de um caminhão). Mas também estar nesse círculo faz com que eu me choque cada vez que vejo pessoas que acumulam uma vida de coisas inúteis antes de completar 30 anos. Amigos também, mas eu não posso nem dar um toque e dizer que "ei!", eles estão enterrando a cabeça em uma quantidade de bagagem que acho que nem meus pais têm. E por falar em pais, quantas caixas de coisas tontas eu tenho lá em casa? Livros, cadernos, quinquilharias ocupando armários?

Eu estou tentando ficar mais leve, sem dieta. Eu quero não gastar meu dinheiro ou minha energia de vida com coisas que serão esquecidas ou não serãou usadas. Eu quero ter liberdade de ir e vir sem carregar um mundo de bugigangas. Eu quero ter uma pegada pequena no planeta Terra e que ninguém me culpe de usar recursos naturais da pior maneira. Eu quero ser simples, eu quero ser zen. Ah, e organizada também.

Acho que estou no caminho certo, porque todas as coisas se encaixam, um bom record de Tetris. Agora só tenho que colocar a boca, o dinheiro e o coração no mesmo lugar.

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

Lâmpada

Às vezes me vejo tão sensiva que até me emociono, e aí lembro: TPM na certa.

Viagem

A estrada me leva para fora do tempo. Dentro do carro, a linha intermitente das faixas passando no chão, zum. Estrada, placas, viadutos, pontes, avenidas, luzes, tudo meio sempre igual. As diferenças sutis nos anúncios e prédios à margem me dizem que esta estrada não é as outras, mas poderia ser. De todos os lugares, para todos os lugares, o caminho é um pouco fora do tempo, e é ali que me vejo no entardecer triste de outono.

terça-feira, 23 de agosto de 2005

Já passou

Depois de muito tempo entendi a fascinação. A agressividade toda que é demonstrada pra mim eu uso como espelho. O que melhor do que achar uma pessoa que ao mesmo tempo dá atenção e é espelho? Esse era o encanto, agora o espelho estilhaçou. Um masoquismo sem fim, agora no fim. Acabou-se o mistério. Tem muitos furos no raciocínio. Como é que auto-conhecimento é uma coisa ruim? E companhia? As palavras vão ecoar por muito tempo ainda. O bom é que eco não amplifica: some.

terça-feira, 9 de agosto de 2005

Não-umbigo

Para dar uma pausa nos meus posts mensais sobre sempre o mesmo assunto, um comentário, com link até.
Sabem que a Amazon deu um jeito de vender até filantropia? Você vai e faz uma doação para uma das 10 instituições pré-selecionadas por eles. A instituição que ganhar mais dinheiro vai receber uma "doação-casada" da Amazon, dólar por dólar.
E não tem limite mínimo de doação, o que quer dizer que estudantes quebrados e duros também podem usar o sistema. Não é mesma?

Eu também sou.


Atthis heloisa heloisa

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Agora ou nunca.

Bateu agora a sensação de que escrevo hoje ou nunca mais.
Tenho visto, sentido, viajado.
50 dias, muitos aniversários ruins e bons, remédios para o corpo e a alma, ar fresco coisas novas.
Não dá para tirar um retrato de mim agora, embora se tente. Tenho espelhos novos. Olho pela janela.
I repeat, attention please, do not fool yourselves: I'll keep being myself because I can't be anybody else.
I'll keep being myself not merely because I can't be anybody else or something, but because I WANT MORE. (Macca)
Não quero nada menos do que o maravilhoso. (Naty)
É verão e há o que sempre houve.
O calor me afeta as entranhas, o calor me altera, está fazendo muito calor.
Um tal de limpar armário...
Saudade de casa e uma nostalgia sem fim. Do futuro até, como já expliquei. 50 dias atrás.
Conversa séria no fim de domingo - a vida é minha, até que enfim.
Praças, discos, cookie cutters, cookie monster, chapéu, retratos, telhado, avião, C.I.A., stoned, urubu, burunga, saudade.
Praia, janela, espelho, feijão tropeiro, dando bote, amada, the condition is good.
Coração se ficar guardado enferruja.
Parece que os sentidos entraram no caldeirão da bruxa para misturar, mas não é não, é a madrugada que desce sobre a pessoa.
Escrevo mais quando as palavras saírem a dançar baile na próxima vez.
Até lá.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Mais Loris Machado



Para testar se as imagens funcionam no blogger...

segunda-feira, 6 de junho de 2005

achei uma tira de papel que diz:

Eu tenho um medo que vive em mim em forma de sorriso.
Eu tenho um sonho que não dorme.
Eu tenho a cadência mas não tenho ritmo.
Eu tenho nojo.
Eu tenho coceira de adivinhar o riso.
Eu tenho nostalgia de um futuro próximo.
Eu tenho fome que não se tempera.
Eu tenho frio de coisas passadas.

domingo, 15 de maio de 2005

Aparição

Entre um dia de cão e o balaio de gato ainda vejo a bruxa. Ela me conta o que vê lá de cima, voando em sua vassoura, e diz que as cidades mais parecem mapas - se vêem esquinas e cada curva é de novo escolha. Completamente alheia à quântica e que tais, diz que uma observação não colapsa a onda.
A bruxa acredita na verdade, no toque, na elegância, no carinho, na história, na saudade, na lágrima furtiva nascida do vinho. Ela também acha que a felicidade espreita a cada passo, embora o suspense do pé no ar mais pareça um chute.
Ela faz questão do contato, e seu corpo grita Escher, a mão dentro do peito agarrando o pulsar, outra levantada aos cabelos, cabeça-coração. Intui e lhe basta, embora custe tanto aos outros compreender que assim é a vida.
Do caldeirão saem coisas, muita fumaça e muita bolha, superfície fervilhando. A gata preta teve que ter as urgências estirpadas, mas passa bem obrigada. O sangue jorra à terra em esguichos fortes. O perfume não é comprado, nasce de dentro.
Peço à bruxa que fique. Ela vai pensar no meu caso.

quarta-feira, 13 de abril de 2005

Sufoco

Sei que estou sumida, mas ando no sufoco. Só conto que das coisas ótimas e excitantes dos últimos tempos destacam-se o show, na quinta passada, do Ladysmith Black Mambazo, e a expectativa para o show de Zap Mama sábado que vem. Nem acredito que estou vendo os dois num tempo tão próximo. Tenho que escrever - urgente - pra Dona Malu Prates.

Tolerância

Tolerar a existência do outro e permitir que ele seja diferente ainda é muito pouco. Quando se tolera, apenas se concede e essa não é uma relação de igualdade, mas de superioridade de um sobre o outro. Deveríamos criar uma relação entre as pessoas da qual estivessem excluídas a tolerância e a intolerância. (José Saramago, mas copiado do Livro da Tribo, 19.1.2001/2002)

segunda-feira, 11 de abril de 2005

Livromancia

Úrsula se preguntaba si no era preferible acostarse de una vez en la sepultura y que le echaran la tierra encima, y le preguntaba a Dios, sin miedo, si de verdad creía que la gente estaba hecha de hierro para soportar tantas penas y mortificaciones; y preguntando y preguntando iba atizando su propia ofuscación, y sentía unos irreprimibles deseos de soltarse a despotricar como un forastero, y de permitirse por fin un instante de rebeldía, el instante tantas veces anhelado y tantas veces aplazado de meterse la resignación por el fundamento, y cagarse de una vez en todo, y sacarse del corazón los infinitos montones de malas palabras que había tenido que atragantarse en todo un siglo de conformidad.
-¡Carajo!-gritó.
Amaranta, que empezaba a meter la ropa en el baúl, creyó que la había picado un alacrán.
-¡Dónde está!-preguntó alarmada.
-¿Qué?
-¡El animal!-aclaró Amaranta.
Úrsula se puso un dedo en el corazón.
-Aquí-dijo.


(GGM, Cien años de soledad)

sábado, 2 de abril de 2005

E se ela chora num quarto de hotel

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela mora no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva pra sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz