Espíritos opostos
Luís Fernando Veríssimo, no Globo, 4 de março de 2004.
Não houve muita política na última entrega dos Oscars. Uma piada do Billy Cristal aludia aos privilégios que Bush teve durante o seu serviço militar e o diretor do documentário premiado sobre Robert MacNamara e o envolvimento americano no Vietnã disse temer que o país estivesse entrando em outro buraco parecido, no Iraque. No ano passado as críticas a Bush e à guerra foram aplaudidas e vaiadas. Este ano não houve vaias.
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A guerra do Iraque pode ser menos discutida, nas próximas eleições americanas, do que uma outra questão quente: casamento entre gays, sim ou não? É uma discussão engraçada, porque as posições de lado a lado tendem a ser invertidas, sem trocadilho. Os gays, no caso, são mais conservadores do que seus críticos, pois lutam para preservar e prestigiar uma instituição que parecia estar agonizando, vítima da nova moral sexual. Em muitos casos o que os parceiros buscam é uma formalização legal da união para fins de sucessão etc., mas na maioria dos casos — imagino — o que querem é uma sagração matrimonial como a dos seus pais, com toda a sua carga de tradição e emoção. Véu, grinalda e gravatas prateadas opcionais.
As objeções religiosas a casamentos entre pessoas do mesmo sexo também são paradoxais. Em toda ligação homossexual — ou homoerótica, porque o mundo está cheio de ligações homossexuais que não sabem que são — existe um componente “feminino” e um componente “masculino”, mesmo que imprecisamente definidos por características de personalidade e comportamento. E na medida que personalidade e comportamento expressam o “espírito” de alguém, para usar outro termo indefinível, todas as uniões sexuais são entre “homem” e “mulher”, mesmo quando os corpos são do mesmo gênero. O espirito é a pessoa, segundo o ensinamento religioso, não o seu corpo transitório. Mas nenhuma religião quer saber de espíritos de sexos opostos se amando e fazendo arranjos domésticos “normais”. Sua crítica parece materialista e contraditória. Mas como não sou nem gay nem religioso, longe de mim esse cálice de confusão.
O mais curioso de tudo é a nova avidez das pessoas por parâmetros formais e cerimônia. Ouço dizer que foi por insistência dos alunos que as solenidades de formatura que, misericordiosamente, se encaminhavam para uma depuração sensata e para a brevidade, voltaram a ser como eram antes, pesados e palavrosos rituais de passagem com beca e tudo. Agora, quando o casamento parecia a caminho de se tornar obsoleto, substituído pela coabitação sem nenhum significado maior, chegam os gays para acabar com essa pouca-vergonha.
quinta-feira, 4 de março de 2004
quarta-feira, 3 de março de 2004
terça-feira, 2 de março de 2004
Tô me devendo dois posts. Um sobre o meu apelido, a propósito da pergunta que o Marcelo fez. Outro sobre pensamentos aleatórios desses que a gente tem quando tem muuuuito sono. Mas depois eu escrevo que tenho um amigo esperando, "bobo, feio e chato e retardado mental" mas que eu também adoro!
Troca de insultos entre amigos é o que há de bocoió, verdade seja dita.
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11:56
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domingo, 29 de fevereiro de 2004
Sobrevivi aos pistaches e à sexta-feira longa mas boa. E a próxima semana está quase começando...
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Mais dicas de Buenos Aires, da Janaína Figueiredo d'O Globo
DANÇA
Tango na Corrientes
Entre os dias 28 de fevereiro e 7 de março, Buenos Aires será, mais do que nunca, a capital mundial do tango. No próximo sábado começa a sexta edição do Festival Buenos Aires Tango, organizado pela secretaria de Cultura da cidade, um dos eventos mais importantes do ano. Durante uma semana, portenhos e turistas terão o privilégio de assistir espetáculos de músicos e dançarinos de prestígio internacional, como as cantoras Adriana Varela, Eladia Blázquez e Maria Graña; os cantores Raúl Lavié e Néstor Marconi; os músicos Luis Salinas e Rubén Juárez; e os dançarinos Mora Godoy e Maximiliano Guerra. Concursos de dança, aulas de tango e, como todos os anos, a tradicional milonga invadem a Avenida Corrientes. No dia 6 de março, dezenas de casais dançarão na mítica avenida de Buenos Aires — aquela que nunca dorme — ao som da Orquestra Típica, do músico Rodolfo Mederos, discípulo consagrado de Astor Piazzolla. O objetivo das autoridades argentinas é atrair cada vez mais turistas estrangeiros. Assim como o Rio oferece o desfile das escolas de samba, Buenos Aires, dizem os argentinos, oferece o festival de tango. O centro de informações fica na própria Corrientes 1.530, 8º andar. Tel.: 374-2829. Na internet:
TEATRO
Dança também no El Salvador
Já que está prestes a começar a semana do tango em Buenos Aires, vale a pena assistir o espetáculo “Tanguera”, um musical digno da Brodway. Estrelado pela dançarina Mora Godoy, “Tanguera” já é considerado um sucesso internacional. Após arrasar em Buenos Aires, no verão de 2002, o espetáculo foi apresentado na Espanha e até mesmo na China, entre outros países. São 16 dançarinos, incluído o brasileiro Antônio Júnior Cervilla, um dos melhores dançarinos de tango da Argentina. O espetáculo está em cartaz no Teatro El Nacional (Avenida Corrientes 960).
GASTRONOMIA
O México à mesa portenha
O Maria Félix é um dos melhores restaurantes de comida mexicana de Buenos Aires. O menu é variado: tacos de frango, tacos de carne, quesadillas, nachos com guacamole e diferentes tipos de sopas, entre outras delícias. Para beber, a tradicional margarita mexicana é o carro-chefe. Para os que preferem sucos naturais, vale a pena experimentar a especialidade da casa: morango com laranja. Um jantar para duas pessoas custa em torno de 50 pesos. Soldado de la Independencia 1.150 (Belgrano) e Dardo Rocha 1.680 (Martínez).
GRIFE
Elegância local ganha as ruas da capital
A Ayres já virou um must para as argentinas com idade entre 20 e 40 anos. A grife é uma das mais consumidas pelas mulheres do país. Roupas modernas e charmosas. Vestidos, calças, ternos, saias e jeans, tudo de muito bom gosto. A coleção de inverno já está chegando aos shoppings. Para quem visitar Buenos Aires nas próximas duas semanas, as lojas ainda estarão liquidando o que restou da coleção de verão. A Ayres está em lojas sofisticadas nos shoppings Alto Palermo, Paseo Alcorta, Solar de la Abadia, Galerías Pacífico e Unicenter.
CONSUMO
Qualidade e classe nos pés
A Rubén Portela vende sapatos clássicos e elegantes. É uma das lojas mais freqüentadas dos bairros da Recoleta e Belgrano. A qualidade dos produtos é excelente. Os preços são variados, mas em geral nada custa menos de 80 pesos. Os sapatos finos, de couro, são feitos para durarem muitos anos. Em dois endereços: Ayacucho 1.987 (Recoleta) e Antonio J. De Sucre 2.181 (Belgrano).
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15:34
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004
Se houver amanhã
Comprei uns 300 g de pistache e comi tudo praticamente sozinha. Já estou sentindo uma pontada bem aqui. Foi bom ter conhecido vocês...
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18:47
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Queria pedir desculpas à Crau, que fez um comentário pra minha tartaruga quando eu já tinha apagado o post e esqueci de publicar. Não sei consertar, mas aí vai o comment dela:
eu nao queria ser perversa *hohoho* mas uma tartaruga c/ a bandeira brasileira no casco? *hohoho* e o rubinhoooooooo!!! *hehehe* ou era pra decifrar um significado mais simbolico e critico? naaah! e o rubinho mesmo!!!
mais bisous,
crau
ps- adoro esse blog e ainda vou lhe pentelhar um bocado. :)
-Crau
Obrigada, Crau, por gostar do blog. A tartaruga, apesar de parecer, não é o Rubinho. É o mascote da Universidade de Maryland fantasiado para o carnaval brasileiro. Mentes pervertidas fizeram insinuações sobre o pescoço dela, então ele foi estrategicamente encurtado. A versão antiga da tartaruga está aqui. Sem comentários, por favor!
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16:13
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Estou rindo sozinha até agora. Eu googlo as pessoas que tentam entrar na lista de brasileiros da qual eu sou moderadora. Achei um dos caras pelo username dele. Ele é estudante de lingüística e tem um blog engraçadíssimo. E eu nem o conheço. Já pensou? Amanhã eu chego na primeira reunião de membros da associação e digo que li o blog dele? Acho que ele teria um troço. Não custa tentar.
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01:20
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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2004
Jogo dos sete erros:
1) O lado da minha irmã está ótimo, o meu lado está superexposto;
2) Minha prima é a única com os olhos azuis, apesar de nós termos a mesma probabilidade;
3) Todo mundo está morrendo de frio, exceto eu, que estou de vestido;
4) A minha irmã está loira;
5) Minhas primas são irmãs e não se parecem entre si;
6) Minha irmã e eu não nos parecemos;
7) Somos todas normais e bonitinhas, apesar de a "sabedoria popular" garantir que filhos de primos "não dão certo".
às
22:37
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Quem ganhou chocolate de Bruxelas e polpa de manga da Índia?
- Eu ganhei!!!
O chocolate tá com cara de ser maravilhoso e a manga veio com a recomendação de tomar com leite.
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18:43
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Dez tecnologias que se recusam a morrer. E dez que mereciam sumir do mapa. Não concordo com tudo, mas é uma boa lista.
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16:16
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2004
Pedro Dória comenta no que eu já sabia desde que eu provei um desses:
Tortura é apelido.
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13:52
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O post aí de baixo foi porque um cara deu dois foras seguidos comigo e teve que agüentar a minha cara de "hmpf".
Voltamos à nossa programação normal.
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13:39
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How to impress a Brazilian person
and how NOT to:
Don't:
- mention anything about your last salsa/merengue/rumba/tango class. These rhythms are as exotic in Brazil as they are in the U.S.
- mention anything about your last trip to Peru. Peru must be great, but if you went to South America and didn't visit Brazil that only testifies against you.
- try to speak Spanish. We speak Portuguese. Like in Portugal. But it's diferent. Even so: we DON'T speak Spanish.
- refer to us as Hispanic. There are many definitions of this term, we don't fit to any of them. We are Brazilian, that's our nationality and our culture. Our race is rarely "pure" or well defined, and our culture is equally rich in influences. Don't try to label us, it's very difficult and we will be mad at you.
- try to be funny making insindious comments about Brazilian women's sexuality. Thank you, but no, thanks.
Do:
- memorize a few facts about Brazil to impress us.
- express your appreciation for Bossa Nova, Tropicália, samba.
- say you tried to learn how to dance samba or forró.
- ask about food without mentioning tortillas.
- say you're gonna visit Rio and Salvador soon.
- ask serious, informed questions about Brazil's problems on inequality, race issues or political/economic conjuncture.
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13:30
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2004
Das manias que incomodam:
roer o dedo de nervoso, ao invés da unha, coincidentemente às quintas-feiras.
Pensar que déjà vu é presságio de morte.
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23:53
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E falando em mártir...
Não é que eu não esteja jogando meu tempo fora, estou, sim, caprichosamente como de costume. A diferença é que agora ele me faz falta, esse tanto que eu desperdiço.
E nem estou reclamando muito, afinal, semestre passado foi um desânimo só e tudo o que eu queria era a tal da vontade de trabalhar - eu achei que esse ente estava no rol de Papai Noel e Coelhinho da Páscoa. Agora eu tenho um pouco. E trabalho.
Queria só que o dia tivesse mais horas pra eu poder namorar mais, ligar pra família, escrever todos os emails que eu devo, almoçar e dormir feito gente, chegar em casa numa hora decente.
E a tese, ah, essa é outra história ainda, escrever a tese também vai ser uma coisa. É claro que quando uma pessoa assim largada como eu desanda de fazer coisas os outros estranhos, e a tendência inclusive é os chefes te tratarem bem. Mas there's only so much you can do, não é o meu santo obreiro que vai mudar a personalidade dos outros, e isso me mata.
Vou ter que contar os dias pra isto acabar, e continuar tentando administrar meu tempo, assunto em que eu sou uma negação. E meu blog tá indo pro brejo, já não serve nem de boletim de novidades pros meus pais e irmã, nem de diário adolescente, nem de coisa nenhuma.
às
22:44
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